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Artigo

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Não foi de repente: quando a Bahia decide transformar ideias em destino

Por Marcius de Almeida Gomes e Sócrates Gomes Pereira Bittencourt Santana

Foto: Divulgação

O ano de 2026 começa como começam os ciclos longos. A economia baiana que se anuncia neste início de ano é fruto de uma jornada contínua de governos sucessivos, conduzida pelo mesmo campo político, com seus acertos, correções e persistências, sob a liderança de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. Não se trata de um ponto fora da curva, mas de uma curva longa, construída passo a passo, que agora começa a revelar com mais nitidez o seu desenho.

 

É nesse horizonte que os números deixam de ser frios e passam a ser sinais. Quando se observa que a Bahia saiu de 585 startups em março de 2025 para 1.102 startups em dezembro do mesmo ano, segundo o Observatório Sebrae de Startups, não se está apenas diante de uma variação estatística, mas diante de um acontecimento histórico em curso. Um crescimento de quase 90% em menos de nove meses não se explica pelo acaso, nem por soluções improvisadas. Explica-se por uma trajetória de Estado, por políticas públicas que fortalecem e transformaram o verbo “empreender” em prática cotidiana.

 

Há números que contam histórias inteiras sem dizer uma palavra. Entre março e dezembro de 2025, 517 novas startups nasceram na Bahia. Cada uma delas começou, muito provavelmente, com uma inquietação, com a recusa em aceitar que as coisas precisavam continuar como estavam. Se alguém perguntar onde está o milagre, a resposta é simples e desmistificadora: o milagre chama-se ambiente. Um ambiente que permite que ideias sobrevivam ao primeiro sopro de realidade.

 

Esse movimento não aparece isolado. Ele se confirma quando observado à luz do Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups, coordenado pela Associação Brasileira de Startups, edição 2025, publicada em novembro. Ali, os números ganham contorno regional e a Bahia surge como protagonista: 24,7% de todas as startups do Nordeste estão em território baiano, à frente do Ceará, com 21,6%, e de Pernambuco, com 15,6%. Liderar, neste caso, não significa concentrar, mas irradiar. Significa tornar-se referência, polo de atração, lugar onde o futuro decide ficar.

 

E quando o olhar se amplia para o cenário nacional, o sinal torna-se ainda mais eloquente: a Bahia já ocupa o Top 10 brasileiro de estados com maior número de startups, alcançando a 7ª posição no ranking nacional. Não é um detalhe estatístico, é uma mudança de patamar. Um estado historicamente associado à criatividade cultural e à força do seu povo passa a figurar, também, entre os principais territórios da inovação no país.

 

Há ainda um dado mais revelador, porque fala de maturidade. 16,9% das startups baianas já estão em fase de escala e 22,5% em fase de tração. São empresas que atravessaram o período mais frágil da existência, testaram seus modelos, encontraram mercado e aprenderam que crescer exige método. Esse amadurecimento das startups caminha junto com o amadurecimento do próprio ambiente de inovação, construído ao longo de anos de investimento público contínuo.

 

Nada disso acontece no vazio. O crescimento exponencial das empresas inovadoras acompanha a expansão deliberada de estruturas de suporte: ambientes de inovação, trilhas de aceleração, políticas de fomento e eventos que deixaram de ser episódicos para se tornarem plataformas permanentes, como o Bahia Tech Experience. Ao mesmo tempo, o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, expandiu a rede de ambientes de inovação com base em mapeamentos de ecossistemas realizados em parceria com o Sebrae e a Fundação Certi, totalizando dez municípios com Planos de Intervenção estruturados.

 

Alagoinhas, Barreiras, Camaçari, Entre Rios, Feira de Santana, Ilhéus, Lauro de Freitas, Luís Eduardo Magalhães e Vitória da Conquista passaram a operar não apenas com boas intenções, mas com estratégia. Cada território com sua identidade, sua governança e sua forma própria de organizar o coletivo. Em Vitória da Conquista, o Hub Conquista, com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial; em Feira de Santana, o Santana Valley, ancorado na Universidade Estadual de Feira de Santana; em Ilhéus, o Parque Tecnológico do Sul da Bahia, conectando ciência, mercado e território.

 

Somam-se a isso os editais recordes da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia, que transformaram fomento em trajetória e investimento em permanência. O resultado ultrapassou as fronteiras do estado e atraiu a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos para Salvador, sinal claro de que a Bahia passou a ser vista como plataforma estratégica para negócios inovadores.

 

Nada disso se sustenta sem articulação. A atuação conjunta com a Associação Baiana de Startups e com a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Regional Bahia dá voz ao setor e organiza o diálogo entre governo, mercado e sociedade.

 

O início de 2026, portanto, não inaugura um milagre repentino. Inaugura a leitura mais nítida de uma caminhada longa. A Bahia cresce porque decidiu, ao longo de sucessivos governos, tratar inovação como política de Estado e não como promessa de campanha. E quando o futuro finalmente começa a aparecer nos números, ele apenas confirma aquilo que o tempo já vinha dizendo em silêncio: desenvolvimento, quando é coletivo, também aprende a ter paciência.

 

*Marcius de Almeida Gomes é secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia; e Sócrates Gomes Pereira Bittencourt Santana é jornalista e Diretor de Inovação e Competitividade da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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