Brincadeiras da infância como alternativa ao excesso de telas nas férias
Em tempos de Iphone, ipad, smartphone e uma variedade de jogos e programações on-lines, muitas famílias enfrentam o desafio de equilibrar o tempo livre das crianças nas férias com o uso cada vez maior de telas. Embora celulares, tablets e televisão façam parte do cotidiano, o uso excessivo pode prejudicar aspectos importantes do desenvolvimento infantil. Os resgates das brincadeiras tradicionais retornam à cena como uma alternativa simples, saudável e acessível para ocupar o tempo das crianças durante o recesso.
Quem nunca brincou de amarelinha, pular corda, esconde-esconde, pega-pega, elástico e jogos de faz de conta? Essas brincadeiras estimulam criatividade, imaginação e participação ativa, proporcionando um desenvolvimento de habilidades e competências que serão utilizadas durante a vida, inclusive no que se refere a relações interpessoais, resoluções de problemas e gestão das emoções. Ao contrário das telas, que oferecem conteúdos prontos e rápidos. Esse processo favorece a atenção, o raciocínio e as funções cognitivas que também contribuem para o aprendizado escolar.
Outro ponto importantíssimo é o movimento. Brincadeiras ao ar livre permitem correr, saltar e explorar espaços externos, fortalecendo coordenação motora, equilíbrio e consciência corporal. Em uma época marcada pelo sedentarismo e por longos períodos diante de dispositivos eletrônicos, movimentar-se é essencial para a saúde física, mental e para a qualidade do sono.
No aspecto social, brincar com outras crianças ajuda a desenvolver convivência, respeito, cooperação, empatia e respeitos às diferenças. A interação e contato entre as crianças são fundamentais para que as crianças construam vínculos e aprendam a lidar com regras e diferenças. Essas experiências fortalecem amizades e criam memórias afetivas importantes.
No aspecto emocional, o brincar também cumpre papel central. Por meio de jogos e brincadeiras, a criança expressa sentimentos, elabora frustrações, exercita autonomia e vivencia conquistas. Já o uso excessivo de telas, ao contrário, pode gerar irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração.
Para as famílias, pequenas ações já fazem diferença: organizar momentos de brincadeiras ao ar livre, limitar horários de tela, relembrar brincadeiras antigas e, se possível, envolver as crianças em colônias de férias são algumas dicas.
As férias são uma oportunidade valiosa para incentivar experiências mais ativas e criativas. Resgatar brincadeiras da infância não exige grandes recursos, apenas disposição e acompanhamento. É uma forma acessível de promover desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional, fortalecendo a saúde e o bem-estar das crianças da nossa comunidade.
*Maria Fernanda Menezes é pedagoga e psicopedagoga da Estácio
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