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Artigo

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Produtividade Consciente: A IA como Aliada contra o Burnout

Por Kim Nery

Foto: Divulgação

Em 2023, eu tive um burnout. E não; isso não é o começo de uma história inspiradora sobre superação. Foi real. Clínico. Físico e mental. Feio. Era como se o corpo tivesse puxado o freio de emergência. Uma mistura sufocante de ansiedade, exaustão, impotência e medo.

 

Como esse é um artigo sobre tecnologia, digamos que meu corpo deu “tela azul”.

 

Piadas à parte, durante muito tempo, a tecnologia foi meu apoio na ilusão da alta performance. Eu sentia prazer em ver minha agenda lotada, sem nenhum espaço livre: rotina cronometrada, blocos coloridos de compromissos, notificações sem pausa; tudo isso me dava uma falsa sensação de controle.

 

Mas hoje eu entendo: aquilo era só o algoritmo do abuso me dizendo que estar esgotado era um bom sinal. E como toda relação tóxica, parecia normal. Até não dar mais.

 

Mas o que eu vivi não é exceção. Segundo a ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), cerca de 30% dos profissionais brasileiros sofrem da síndrome de burnout.

 

E isso acontece porque ainda estamos presos à lógica da produtividade como extração: mais entregas, mais tarefas, mais e-mails respondidos, mais horas online. A falácia de que produtividade é estar sempre disponível, sempre visível, sempre “entregando” ainda contamina nossa rotina.

 

A nova produtividade: fazer menos e conseguir mais.
A Especialista em produtividade do Google Laura Mae Martin, no seu livro Produtividade saudável: Conquiste mais, previna o burnout e cultive o equilíbrio entre vida pessoal e profissional (Harper Collins Brasil), já cravou:

“A maioria das pessoas ainda pensa produtividade como uma esteira de fábrica. Mas produtividade real é sobre impacto – não sobre volume.”

 

Para conseguirmos fazer isso, precisamos assumir o protagonismo da nossa própria rotina. E é aqui que a tecnologia pode entrar como aliada. A palavra-chave é autodisciplina. E ela não é sobre rigidez. É escolher onde você quer estar e repetir isso até virar hábito.

 

Redesenhar a rotina não começa com grandes promessas, mas com pequenos ajustes que devolvem espaço, foco e equilíbrio. E nesse ponto, a tecnologia pode ajudar muito; desde que usada com clareza, e não como mais uma fonte de ruído.

 

Comece silenciando o que te distrai.
Seu celular tem diversas configurações que te permitem silenciar alertas fora do horário de trabalho. Falar isso pode parecer simples, mas não é. Quando você está viciado em olhar o celular em 1 em 1 minuto, cada notificação é uma dose de dopamina que alimenta o ciclo da distração. Silenciar não é só sobre parar de ouvir o som: é sobre reeducar o cérebro a sair do modo reativo.

 

Ferramentas como o Modo Foco, o Tempo de Uso e até a configuração automática de Não Perturbe em determinados horários podem ser um bom começo para criar barreiras práticas contra o excesso de estímulo.

 

Uma coisa que aprendi foi a proteger meus horários pessoais com o mesmo rigor com que protejo uma reunião com cliente.

 

Blocos de descanso, treino, tempo com a família, leitura ou até silêncio agora são prioridade e não prêmio. Não é sobre virar um monge. Nem sobre virar um robozinho de alta performance.

 

É sobre viver melhor com a ajuda da tecnologia, e não a partir dela.

 

Domine IA como copiloto ou secretário pessoal.
Eu sou publicitário, redator criativo e digo sem medo algum: uso o ChatGPT Plus todos os dias como copiloto de trabalho. Desde as tarefas chatas até as mais importantes. Tem dias em que ele funciona como redator de apoio, outros como secretário que anota tudo, e em muitos momentos, como consultor que me ajuda a pensar mais rápido.

 

Ele organiza minhas pautas, estrutura minhas apresentações, me ajuda a testar caminhos criativos, cria sumários, sugere textos e simplifica ideias complexas. Isso me economiza energia, foco e, talvez o mais importante, tempo cognitivo, que antes era desperdiçado em tarefas mecânicas.
Não é sobre terceirizar o pensamento. É sobre liberar espaço pra pensar melhor.

 

Se você trabalha com gestão, estratégia, conteúdo, atendimento ou qualquer rotina que envolve decisões e organização de informação, essa lógica serve pra você também.

 

A IA não precisa ser um risco ao seu trabalho: pode ser um alívio. E quando a gente alivia o que cansa, começa a sobrar energia pra cuidar do que sustenta a gente.

 

Durma bem, coma melhor e faça exercício: o básico que a gente aprendeu a negligenciar.

 

Hoje, com smartwatches, pulseiras e anéis inteligentes, é possível monitorar sua qualidade de sono, reconhecer padrões, identificar se você está descansando de verdade ou apenas deitando cansado.

 

O Modo Sono do iPhone, por exemplo, silencia as notificações, escurece a tela, reduz estímulos e ainda te avisa a hora de dormir. Parece pouco? Não é. Automatizar seu descanso é um jeito de lembrar que ele importa.

 

A mesma lógica vale pra alimentação e treino. Existem diversos aplicativos e IAs que vão te ajudar a manter uma dieta. Eu uso o MyFitnessPal pra acompanhar tudo o que como. Calorias, macro e micronutrientes. Tudo com orientação médica e nutricional (não vai inventar dieta maluca da sua cabeça hein?!)

 

Pra musculação eu uso o Gravl, um app de IA que me ajuda a estruturar os treinos, adaptar séries e manter consistência mesmo nos dias de pouca motivação. Sério, esse app me ensinou demais sobre como meu corpo funciona e reage à atividade física.

 

Quando você automatiza o que te exige energia desnecessária, sobra energia pra fazer o que importa. Disciplina, aqui, não é sobre fazer mais. É sobre fazer com mais intenção.

 

No fim das contas, a tecnologia não vai salvar ninguém: depende de você.

 

A IA não veio pra substituir seu trabalho, sua autonomia ou seu valor. Ela veio pra tirar da sua frente o que é ruído e abrir espaço pro que realmente importa. Ela pode ser a ponte entre a vida que você leva hoje e a que você gostaria de viver.

 

Porque viver melhor não depende da ferramenta. Depende da coragem de mudar o jeito como você se relaciona com o seu tempo, com o seu corpo, com o seu foco e com você mesmo.

 

E sim, isso leva tempo. Ninguém vira outra pessoa da noite pro dia. Mudança real exige constância, tropeço, recomeço. Mas tudo começa com uma decisão: parar de sobreviver no automático e começar a construir sua rotina com intenção. As ferramentas deixam mais fácil, apenas.

 

Você está preparado pra isso?

 

*Kim Nery é publicitário, estrategista de branding, negócios e comunicação. Atua como redator e consultor para marcas nacionais e locais que buscam relevância, clareza e impacto na nova economia. Defensor de uma produtividade mais consciente, é também entusiasta da inteligência artificial como ferramenta de autonomia, foco e equilíbrio na vida profissional

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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