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Artigo

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LEMBRAR DOS HORRORES DA REPRESSÃO TAMBÉM É VALORIZAR A DEMOCRACIA


      
Luiza Maia          

No último dia 31 de março, o Golpe Militar de 1964, que marcou o início de uma sangrenta ditadura de 21 anos no Brasil, está completando 45 anos. Alguns segmentos defendem que a data nem seja lembrada em função do rastro de impunidade e crimes contra a humanidade desencadeados a partir daquele levante comandado pela ala reacionária das forças armadas e apoiado pelo império norte-americano.

Porém, penso o contrário e acredito que o momento não pode e nem deve passar em branco. É preciso esclarecer aos que não viveram a época os absurdos cometidos pela ditadura, que assassinou centenas de ativistas e militantes políticos. Também deve-se deixar claro que a sociedade repudia e não aceita qualquer outra tentativa de tomada do poder por setores conservados e retrógrados. Por fim, é injusto que esqueçamos da memória de tantos filhos ilustres, a exemplo do comunista baiano Carlos Marighela, que perderam a vida na luta por democracia e liberdade.

Ainda muito jovem, principalmente na época da universidade, combati a Ditadura Militar. Durante muitas vezes, fui às ruas gritando palavras de ordem e levando no peito o desejo irreparável de poder manifestar livremente as minhas crenças e opiniões. Abaixo à ditadura eram o nosso principal “grito de guerra”.

Felizmente, vencemos a repressão, porém ficou para a minha geração, da qual participou tanta gente valorosa e combativa, o ensinamento de que a organização popular e as explosões pacíficas dos canhões da democracia são as melhores armas de combate ao medo e ao terror. Vale frisar que, ainda hoje, há reacionários e viúvas da ditadura chamando os absurdos cometidos entre 1964 e 1985 de DITABRANDA. Eles até reivindicam indenização para torturadores.

Que nunca mais em nossas vidas possamos compartilhar momentos tristes como aqueles. Não podemos simplesmente ignorar o Golpe de 1964 e, com ele, as transformações que ocorreram na conjuntura política e social do país. Afinal de contas, rememorar os momentos de agonia impostos pela opressão é também um exercício de valorização da democracia.

Viva a liberdade! Viva a democracia!


* Luiza Maia (PT) é presidente da Câmara Municipal de Camaçari.

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