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Artigo

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O controle da pandemia passa pelo transporte coletivo

Por Marcos Sampaio

Foto: Divulgação

A saúde está em crise e o transporte público também. Os problemas destes dois setores estão mais interligados do que normalmente falamos. A mobilidade urbana tem impacto direto nas condições de saúde da população. Em Salvador, a gestão municipal admite que há um imenso transtorno no sistema de ônibus, mas adia, há anos, a busca pelas soluções, ao passo que as pessoas vão se aglomerando e pagando alto por um serviço que não lhes dá segurança sanitária e nem dignidade.

 

O problema do transporte coletivo na capital é anterior à pandemia. O vírus chegou e já está entre nós há dois anos. Nesse tempo, a população de baixa renda, que já tinha dificuldades com o serviço de mobilidade e acesso à saúde, se viu em situação ainda mais dramática. Como evitar a contaminação contra a covid-19 se os ônibus estão lotados? Como tomar as doses das vacinas se o posto mais próximo fica do outro lado da cidade?

 

O direito ao transporte público e de qualidade está intimamente relacionado com o direito à saúde e à vida. Os gestores públicos precisam ser lembrados disso. Muitas pessoas deixam de buscar o atendimento médico, multiprofissional ou de saúde mental porque não podem pagar sequer pelo transporte. As conversas sobre possibilidade de aumento do valor da tarifa limitam ainda mais o acesso a esses serviços.

 

As aulas presenciais foram retomadas nas redes pública e privada e a circulação dos vírus tende a aumentar, inclusive porque o transporte público volta a ter uma demanda maior de passageiros. Os hospitais já estão restringindo as visitas aos pacientes, instituindo boletins virtuais, para evitar a contaminação nas unidades. Toda essa situação é terrivelmente triste para enfermos, familiares e profissionais da saúde.

 

Isso revela como a situação é sistêmica. Um movimento aqui provoca outro ali. Os ônibus e metrôs são, inevitavelmente, ambientes de alto risco para a contaminação devido ao grande número de pessoas confinadas e aglomeradas. Por isso, é importante não desperdiçar os aprendizados até aqui, adotando políticas públicas que garantam segurança para a saúde das pessoas, porque estas medidas serão legados para o futuro das cidades.

 

Deve-se promover a limpeza dos transportes coletivos, disponibilizar 100% da frota de ônibus nos horários de pico, fornecer álcool em gel e máscaras potentes para passageiros, proteger trabalhadores rodoviários, limitar ocupação dos veículos, usar janelas abertas para melhor ventilação, conscientizar sobre os riscos de produção de gotículas ao falar dentro do ônibus, além de colocar informativos sobre outros riscos e formas de proteção.

 

O Conselho Estadual de Saúde da Bahia, responsável por fiscalizar e deliberar sobre o SUS, tem recomendado aos órgãos públicos a adoção destas medidas como forma de colaborar na promoção da integralidade do direito à vida.

 

*Marcos Sampaio é presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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