UM DIÁLOGO ENTRE BAHIA E MERCOSUL

Éden Valadares
Salvador será a capital política da América Latina e Caribe durante seis dias. Isso porque, entre os dias 12 e 17 deste mês, a cidade baiana sediará uma série de encontros, reuniões e atividades políticas de todo o continente.
Dentre esses importantes eventos, vale destacar a Reunião Especializada de Juventude do Mercosul – REJ. Criada em julho de 2006 durante a Cúpula de Córdoba, a REJ é um órgão de assessoramento do Grupo do Mercado Comum para os temas relativos à juventude. Além disso, cabe a ela ser o espaço de articulação entre os órgãos governamentais nacionais de juventude e de diálogo entre esses órgãos e a sociedade civil.
“Espaço de diálogo entre esses órgãos e a sociedade civil”... Mas, como se dá esse diálogo? Quais são seus instrumentos, suas linguagens ou seus conteúdos? Mesmo reconhecendo que a organização de um encontro da sociedade civil anterior à reunião da REJ é uma boa iniciativa – saúdo aqui o governo federal brasileiro pela idéia e pelo pioneirismo, registre-se – é imperativo aprofundar o entendimento sobre quais são as principais pautas dos governos, dos movimentos juvenis e das políticas públicas de juventude para a América do Sul no próximo período. E, mais, como essas agendas se combinam e se entrelaçam no sentido de avançar os processos de democratização, de combate às desigualdades e superação da exclusão no nosso país e no continente.
Neste sentido, a experiência desenvolvida pelo Governo do Estado da Bahia busca se relacionar com estas questões de maneira dialética. Por um lado, se espelhando e bebendo na fonte das ações em curso e, por outro, buscando influenciar a construção de novas agendas. Ao passo que persegue a criação e a consolidação de uma política estadual de juventude, largamente influenciada pelos parâmetros adotados nos países do Mercosul, busca também a elaboração de novas diretrizes para o conjunto das bandeiras e das lutas juvenis no nosso continente.
Da disposição de “aprender ensinando” nasceram o Conselho, a Coordenação-Executiva e o Plano Estadual de Juventude – antenados às demandas continentais de gestão articulada, participação social e reconhecimento de direitos juvenis; e da disposição de “ensinar aprendendo” nasceu o Programa Trilha – que amplia a abrangência das políticas de juventude à questão do combate a perpetuação da pobreza entre as gerações.
Como nos ensinou, e ensina, Damário da Cruz, “a possibilidade de arriscar é nos faz homens”. Sem medo de reproduzir experiências bem sucedidas e, sobretudo, com coragem de ousar, de tentar e avançar na construção de uma sociedade menos desigual e mais solidária, esperamos atender às expectativas dos jovens baianos, brasileiros, sulamericanos...
Éden Valadares é Coordenador de Políticas de Juventude da Secretaria de Relações Institucionais – Governo da Bahia. Ex - secretário de Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, também coordenou a Conferência Estadual de Juventude que mobilizou mais de 50 mil jovens em todo o Estado.
