A EXPERIÊNCIA DA TORRE

Tatiana Mandelli
Como todo inicio de ano, abrem-se as previsões e as expectativas. E eu, como sou taróloga, vou utilizar o tarot para explicar o que anda acontecendo no mundo e como isso nos atinge individualmente.
O tarot é um antigo oráculo, composto de 22 cartas que descrevem a experiência humana na busca de felicidade e evolução. Presente desde bem antes da nossa cultura atual, este ensinamento antigo descreve em cada carta os estágios de nossa caminhada em direção a um novo estágio de consciência. A cada carta, uma experiência, um aprendizado, uma nova descoberta. No final das 22 cartas, terminamos um ciclo para que um novo seja iniciado e assim por diante...
E onde anda a nossa experiência humana? Que carta descreve nossa situação atual?
Estamos vivendo a experiência da TORRE, que é o numero 16. Para mim isto está muito claro desde o dia 11 de setembro, quando o símbolo do mundo atual, as torres gêmeas de Nova York, caiu num ato de terrorismo histórico, que nos remete à intolerância religiosa. A grande divisão entre ricos e pobres, ocidente e oriente, abre a ferida da desigualdade e mergulha o mundo no caos e no terror. Na seqüência, o atual representante da igreja de Roma escolhe o numero 16 para sua própria identificação.
A experiência da TORRE no Tarot nos fala de uma mudança irreversível. Os valores antigos precisam mudar para que os novos valores possam existir. Isto significa que tudo o que foi construído, utilizando como alicerce estes valores antigos, vai ser destruído. E não está exatamente assim nosso mundo? Estamos assistindo de camarote a mudança irreversível de nosso clima, seguida de todo tipo de desequilíbrio natural. O caos e a destruição do nosso planeta são manchetes dos principais jornais e revistas nesta virada de ano. Os valores da nossa sociedade patriarcal – o poder, o dinheiro, o status, a competição, etc. – são os valores principais de nossa sociedade. Como podemos falar de democracia, se ainda nem conquistamos o respeito por nossos irmãos humanos? Se ainda consideramos relevantes diferenças de cor, raça, religião, cultura? E, principalmente, se ainda existe em nosso mundo desigualdades entre homens e mulheres?
É a base destes valores que precisa ruir. O mundo precisa reconectar-se com o sagrado feminino. A idéia patriarcal deixou grande parte da humanidade órfã de mãe. Vivemos e somos filhos de um Deus masculino, híbrido e julgador, que gera seus filhos sozinho. Portanto, um Deus muito diferente de nós humanos, que precisamos da energia do feminino para dar a Luz. É como se a humanidade estivesse dormindo no meio de um pesadelo... Esquecidos da nossa mãe que nos gerou a todos, destruímos nosso planeta com se fossemos superiores e inatingíveis. Precisamos mudar nossos valores! Precisamos lembrar que a humanidade toda é um único Ser, que habita o mesmo planeta. Então, a Deusa vai retornar, como uma mãe que acorda seu filho no meio de seu pesadelo e o abraça. Neste instante, estaremos diante de um novo mundo, com outros valores. A Deusa e o Deus, homens e mulheres conscientes, singulares, em harmonia entre si e com a natureza.
Enquanto não chegamos a este novo mundo, a TORRE tem que ruir. E tudo que foi construído sobre estes valores será destruído. Se o caos será pequeno ou grande, se vai atingir você ou não, depende do quanto destes valores ainda habita dentro de você, na sua cidade, no seu país, no seu sistema de crenças.
Se você acredita que o poder é um grande valor e em tudo o que ele representa – status, dinheiro, etc. Se você ainda acredita no sistema piramidal, no patriarcado, na competição, sua Torre vai ser grande. Se você utiliza estas crenças nas suas relações com as pessoas, vai ser maior ainda. Mas, se você já despertou, se o sistema já não lhe parece correto, se está buscando respostas e possibilidades de novas descobertas, se está olhando para dentro de si mesmo, se está cuidando do planeta com pequenas e grandes ações, então sua Torre individual será muito mais fácil. Você terá de lidar com novos paradigmas, mas será co-criador desta nova era. Um mundo mais consciente, mais justo, mais solidário, mais amoroso e muito melhor de se viver.
Tatiana Mandelli é economista; empresária da fábrica de móveis para áreas externas – Tidelli; orientadora de grupos de mulheres; participante do Coven - Filhas da Deusa (Rio, São Paulo e Bahia).
