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Artigo

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Poder, influência e visibilidade: saiba o que está em jogo no comando da Assembleia Legislativa

Por Gusmão Neto

Foto: Max Haack/ Divulgação

Esta semana a Assembleia Legislativa ganhou uma nova configuração com a eleição da sua Mesa Diretora. Mas muitos perguntam: O que isso tem a ver comigo na minha cidade? Ora, tudo!

 

Antes de mais nada, a Mesa Diretora é um grupo seleto de deputados que são eleitos por seus pares para administrar a Casa. É uma questão interna, mas que têm muitos interesses envolvidos e põe em jogo o controle de um orçamento bilionário.

 

Eleito presidente, o deputado Adolfo Menezes (PSD) vai dar as cartas do jogo político no parlamento baiano justamente no momento em que a classe política se prepara para uma nova eleição no ano que vem. E é justamente isso que o torna um político com superpoderes, com influência significativa no cenário eleitoral de 2022. Ele é ligado ao senador Otto Alencar, que tentará ser o candidato a governador escolhido pelo grupo de Rui Costa, travando uma batalha interna contra o senador Jaques Wagner, que também sonha ser candidato. Desse grupo sairá o adversário de ACM Neto, que não tem tantos caciques ao seu lado, mas apostará na sua juventude e no currículo de gestor de sucesso.

 

Voltando a falar da Mesa, além da cadeira do presidente há oito cargos especiais. Neles, os deputados ganham também alguns poderes superiores aos dos demais 54 parlamentares.

 

Claro que sob o domínio majoritário do presidente, são os membros desta farta mesa os responsáveis por decidir sobre a agenda política do Legislativo, sobretudo repartir a responsabilidade de deliberar sobre os custos da máquina. Além disso, cada membro ganha verbas extras, como mais espaço para nomear assessoria, mais cota de combustível, mais tudo. A depender da negociação, o valor adicional para assessoria pode variar de R$ 40 mil até R$ 90 mil por mês, de acordo com o grau de importância de cada função. Isso fora a verba fixa que cada parlamentar já possui. Sempre rola também indicações nas terceirizadas.

 

É de olho nesses poderes internos que as alianças são formadas e as composições são feitas para acomodar os partidos. Os melhores cargos da Mesa são entregues de acordo com a força de cada sigla na Casa e também com os interesses do cabeça da chapa. Depois da presidência, os cargos mais cobiçados são o de 1º vice-presidente (será Paulo Rangel do PT), que, além de uma expressiva estrutura interna, tem o papel de substituir o presidente, e o de 1º secretário (Júnior Muniz do PP), que, digamos assim, é o abonador do cheque do presidente. Depois desses, os demais cargos possuem pesos administrativos e financeiros semelhantes.

 

Com a Mesa definida, agora os olhares da Casa se voltam para a composição das Comissões permanentes e temáticas, que também possuem importante poder de influência na Casa e dão visibilidade aos seus respectivos presidentes. Estamos de olho!

 

*Gusmão Neto é jornalista, ativista social e fundador do Observatório das Desigualdades Sociais de Salvador

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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