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Artigo

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O exemplo do líder

Por Fabrício Castro

Foto: Divulgação

No meu discurso de posse na OAB-BA, adaptando as palavras de Barack Obama quando assumiu a presidência dos EUA, disse o seguinte:

 

Haverá contratempos e falsos inícios. São muitos os que não concordarão com todas as decisões que tomarmos e sabemos que a OAB não pode resolver todos os problemas. Serei sempre honesto com vocês sobre os desafios que encaramos. Vou ouvir vocês, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, irei pedir a vocês para se juntarem ao trabalho de transformar a realidade da advocacia da única forma que pode ser feito: bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada. 

 

Foram palavras sinceras de quem acredita que a construção deve ser coletiva, com a participação de muitos, passo a passo e com muito trabalho.

 

A citação de Barack Obama também não foi por acaso. Líderes como ele nos inspiram e são verdadeiras bússolas para defesa dos valores que devem nortear a construção de uma sociedade mais humana, democrática e igualitária.

 

Primeiro negro a presidir os EUA, Obama tomou posse para seu primeiro mandato em janeiro de 2009 e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em dezembro do mesmo ano. Em uma palestra no Brasil no ano passado, Obama ressaltou que um bom líder não é quem tem as respostas, mas as perguntas certas. E enfatizou a importância de montar boas equipes, com bastante diversidade. “Todo mundo tem seus pontos cegos. Ouvir pessoas diferentes de você te ajuda a tomar melhores decisões, ajuda a ver o mundo com olhos de outras pessoas”, afirmou.

 

Em momentos como o que vivemos, com uma pandemia que tem consequências nefastas, que coloca em cheque a própria humanidade, diante de tantas dificuldades, é muito importante o exemplo de grandes líderes, como eles enfrentaram situações graves.

 

Líderes como Winston Churchill e sua persistência na luta contra o nazismo, sua coragem, sua fé na democracia.

 

Líderes que empreenderam grandes conquistas históricas como Martin Luther King e seu “sonho” pelos direitos civis e igualdade social, Mahatma Gandhi e a revolução pacifica que com ideais de paz, justiça, igualdade e vida natural mobilizou milhões de pessoas e assegurou a independência da Índia, ou ainda Mandela na intransigente luta contra o apartheid mesmo ao custo de sua liberdade. 

 

Há grandes líderes que sequer puderam ao seu tempo viver o fruto de seu trabalho. Abraham Lincoln enfrentou uma guerra pela abolição da escravatura; Tiradentes foi morto por traição, mas a história lhe desagrava pela luta a favor da liberdade e da independência do Brasil.

 

No campo de direito temos verdadeiros cases de líderes que ainda hoje são lembrados e nunca serão esquecidos. Marshall em 1803 liderou a Suprema Corte Americana em Marbury vs. Madison na decisão que declarou o princípio da supremacia do Poder Judiciário, permitindo o controle da constitucionalidade das leis. Sua atitude foi fundamental e moldou o papel do Poder Judiciário a partir de então até os dias atuais. 

 

Nós brasileiros, baianos em especial, precisamos sempre cultuar Ruy Barbosa, maior advogado de todos os tempos, responsável pela difusão em nosso país do republicanismo, da defesa das liberdades, da Constituição Federal e da democracia. Nunca haveremos de esquecer suas palavras: “Com a lei, pela lei e dentro da lei; porque fora da lei não há salvação”.

 

Na advocacia, na OAB, sempre será lembrado Raimundo Faoro, maior responsável pela estatura que a entidade hoje tem no país. Foi Faoro o grande líder da sociedade civil no movimento pela abertura, pela construção da anistia e, finalmente, pela volta do regime democrático.

 

Como não lembrar também do Anjo Bom da Bahia, Santa Dulce, pequena e grande, humilde e altiva, durante anos iluminando a todos com seu exemplo de caridade e amor?

 

As lições desses grandes líderes, portanto, são muito valiosas, pois neles vamos encontrar a coragem, o equilíbrio, a firmeza, a fé, a coerência, a determinação, a credibilidade, enfim, a inspiração necessária para enfrentarmos e superarmos os grandes problemas de nosso tempo.

 

Para vencermos os enormes desafios impostos pela pandemia, precisamos de líderes que pensem e ajam de forma de coletiva pelo bem de todos, sem qualquer vaidade. Líderes que trabalhem muito, incessantemente, sempre em busca de resultados concretos, sem se preocupar que outros também brilhem. Líderes que defendam os melhores valores, os valores humanos acima de qualquer coisa, e sejam intransigentes com a boa fé e a ética. 

 

Retomando o exemplo de Obama, como poucas vezes na história do nosso país, precisamos de líderes que produzam nas pessoas esperança pela construção do bem comum bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada, dialogando, sobretudo em meio às discordâncias, na diversidade de ideias, para superarmos os contratempos e cumprir o valoroso papel que o momento nos exige.

 

Neste domingo (15/11), vamos exercer nossos direitos políticos votando com segurança e responsabilidade, escolhendo candidatos capazes de nos inspirar, motivar e liderar nestes tempos difíceis.

 

*Fabrício Castro é presidente da OAB da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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