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Artigo

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Carreiras UniFTC: Oportunidades para negros importam

Por Alessandra Calheira

Foto: Divulgação

A primeira opção de título que escrevi para esta coluna era “trabalho para negros importa”. Natural para alguém que pensa em mercado de trabalho quase a totalidade do seu dia! Mas, como manter uma ideia desta uma vez que desde que os primeiros negros chegaram escravizados ao Brasil, ninguém tem trabalhado tanto?! Historicamente, o povo negro forma o grupo social que mais trabalha. São até 2 horas a mais segundo o IPEA, chegando a receber 59% a menos do que os trabalhadores brancos, de acordo com um recente estudo do IBGE. É fácil ver negros e pardos trabalhando. Eles estão nas cozinhas das famílias de classe média e alta, nas obras da construção civil, nas empresas de limpeza pública. Ah! Estão também nos presídios, correspondendo a 63,7% da população encarcerada, segundo dados do Depen. 


Se por um mísero segundo você, ao ler a última frase, pensou naturalmente que negros se tornam bandidos pela preponderância de uma espécie de melanina determinista, está na hora de fazer uma autorreflexão. Durante centenas de anos várias ideias equivocadas foram criadas e alimentadas em torno das pessoas negras. Negros são preguiçosos. Negros são limitados cognitivamente. E também negros são bandidos. Estruturou-se no Brasil um racismo tão incrustado que durante muito tempo permaneceu invisível sob a falsa crença de democracia racial. Aos poucos, sob a luta incessante de grupos ativistas, ONGs e aliados essa realidade vem mudando. O fato é que as pessoas, de forma geral, e também algumas empresas, já começaram a perceber que para que a transformação seja efetiva no nosso país é necessário garantir oportunidades para que negros ocupem posições de poder tanto na esfera pública quanto na organizacional. Precisamos abrir espaço para que negros sejam protagonistas.

 

Nestes últimos meses, venho acompanhando o mercado se movimentando nesta direção. A AMBEV, Bayer e Magazine Luiza anunciaram processos seletivos exclusivos para jovens e profissionais negros.  A Magalu causou um alvoroço nas Redes Sociais ao destacar que o salário dos trainees negros que selecionaria seria em torno de R$ 6.000,00. Uma forte reação contrária escancarou as raízes do preconceito para quem ainda tinha dúvida. Algumas pessoas chegaram a pedir ao Ministério Público do Trabalho que investigasse a existência do que convencionaram chamar de racismo reverso. O MPT, destacando a necessidade de reparação histórica, deferiu parecer favorável a Magalu. Também em apoio a essa rede varejista, 14 grandes empresas assinaram um manifesto se comprometendo em desenvolver políticas afirmativas visando ampliar a equidade racial. 


Por tudo isso, agora quero direcionar o meu texto aos jovens, universitários e profissionais negros: a hora é essa! Eu acredito estarmos vivendo um movimento sem precedente na história brasileira e escrevi essa coluna não apenas para sinalizar a relevância dessas ações, mas também para pedir que você tenha atenção. Comece a seguir grandes empresas, formadores de opinião, pessoas que trabalham com a diversidade ou movimentos afirmativos. Eles serão os primeiros a anunciar novas seleções abertas. É importante também se preparar tecnicamente e psicologicamente para aproveitar estas oportunidades. Acompanhando de perto a candidatura de um aluno incrível, inteligente e cheio de potencial em um programa de estágio, comemorei ao vê-lo avançar. Ele passou pelas primeiras etapas mais difíceis e quando estava na reta final, desistiu. Inconformada, perguntei o que tinha acontecido e ele me respondeu: não me senti preparado. Quase chorei. Ele estava. Ao vencer tantos e enormes desafios externos é necessário que cada preta e preto olhe todos os dias no espelho e veja ali refletido a sua própria força e capacidade. Repita mil vezes para si mesmo: eu consigo. Pode parecer pouco, mas eu acredito em você. 

 

*Alessandra Calheira é Líder do Setor de Carreiras da Rede FTC
 
*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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