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Artigo

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Pensando alto: pelo direito e o dever de sonhar

Por Marta Castro

Foto: Acervo pessoal

Estava assistindo ao documentário “O Começo da Vida” e, já no final, perguntaram a uma menina: “qual é o seu sonho?” E ela respondeu: “eu não tenho sonhos”.

 

As palavras e a expressão dessa menina não saem da minha cabeça. Ela devia ter no máximo dez anos, morava num barraco e cuidava dos seus irmãos enquanto a mãe ia trabalhar. No documentário não fala, mas acho que ela não frequentava a escola.

 

Eu com dez anos já tinha a cabeça cheia de sonhos e fantasias, distinção que só fui entender recentemente: o sonho é o desejo consciente de transformar o imaginário em real, ou seja, a vontade de concretizar um pensamento e transformá-lo num fato; e a fantasia é tudo que pensamos sem preocupação de que seja possível ou viável sua realização.

 

Eu lembro de duas fases da minha vida que eu não tinha sonhos e a sensação era de um enorme vazio existencial. As vezes eu me refugiava nas fantasias. No meu processo de autoconhecimento, reconhecer as fantasias se tornou um processo saudável e cultivar sonhos uma prática alimentada com disciplina e amorosidade.

 

Tenho sonhos de todos os tamanhos e tipos. O maior e mais bonito já realizado foi o sonho de ser mãe. Com quase 50 estou realizando outro, que é estudar psicologia. E já tenho novos sonhos a realizar, como escrever um livro que cause um impacto positivo na vida das pessoas e estes escritos são um ensaio para chegar lá. Sonho ainda com viagens e cursos que quero fazer. E você? Sonha com o que?

 

Lembrei de um outro vídeo, este bem antigo chamado “Visão de Futuro” da Siamar, onde escutei algo que na época, quase 30 anos atrás, me marcou: um estudo com judeus que sobreviveram aos campos de concentração nazista mostrou que eles tinham planos para quando saíssem de lá, um motivo para viver. Os que não tinham, sucumbiram.

 

Todos precisam ter o direito de sonhar, em especial as crianças e jovens, mesmo e principalmente em condições de vulnerabilidade social. Precisamos ensiná-los. E neste momento de Covid19, todos nós temos o dever de sonhar e planejar. É importante para enfrentar a doença, o isolamento social e a crise econômica. Precisamos lembrar de cultivar este habito.

 

Na sua entrevista à CNN, no último sábado, Nizan Guanaes citou a seguinte frase, que ele leu em algum lugar: “chega de realizações; queremos promessas.” Antes que alguém o intérprete mal, achando que estamos defendendo a inação, o que ele quiz dizer e eu corroboro é que além da informação nua e crua, muitas vezes polarizada e sensacionalista que a imprensa tem noticiado, precisamos de esperança, superação, leveza, possibilidades. Em outras palavras, precisamos sonhar, porque as fantasias distraem, mas os sonhos movem.

 

*Marta Castro é sócia-diretora do Instituto Planos, Consultora Empresarial, Coach Executiva e Facilitadora de Grupos

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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