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Artigo

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Política x Futebol

Por Davidson Botelho

Foto: Divulgação

Desde pequeno, eu sou torcedor do Bahia. Fui levado ao ambiente tricolor por meu pai que adorava futebol. Ouvia as resenhas, ia para estádios e até fui atleta do time nas divisões de base. Passei a ser um torcedor, gritar, ficar alegre e triste. Mas sempre estive com meu Bahia na 1ª, 2ª e até na 3ª divisão, pois no futebol a paixão reina e sempre estaremos com nosso time nas vitórias e nas derrotas. Tive muitos ídolos: Fito, Bobo, Charles, Douglas, Beijoca,etc... No futebol com o Bahia tive mais alegrias do que tristezas.

 

Jamais tive orientações políticas de meus pais. Aliás, este assunto praticamente não existia na minha casa (uma pena, hoje eu sou partidário que este é um tema importante para conversar com os filhos). Então fui criando meus conceitos na escola, na rua, com os amigos e com a vida. Diferente do futebol, não tenho e acho que não cabe termos ídolos na política, assim como partido político não é time pra ter torcida. 

 

O brasileiro comete o grave equívoco de tratar político como pop star, idolatria, tratar partidos como se fossem um time de futebol com torcida organizada e esquece que nosso time é o Brasil. Esse sempre será o vencedor ou perdedor a depender das jogadas ou esquemas táticos dos nossos representantes políticos. No futebol, quando um jogador não está bem numa partida, pedimos substituição. Mas ele volta no próximo jogo. Temos um campeonato de perde e ganha e dali sairá um campeão. Na política, não torço para o político ou seu partido. Apoio suas boas ideias independentemente do seu partido e se ele escorregar nessa partida, não existe substituição. Podemos eliminá-lo. Não tenho compromisso com partidos ou candidatos. Meu compromisso é com as propostas, simples assim. 

 

Tenho um primo chamado Miguel. Torcedor antigo do Botafogo, saudoso dos bons tempos. Miguel também é um ferrenho torcedor de um partido de esquerda e do seu líder maior. Pra ele é como se fosse o Garrincha da política. Pois bem, Miguel sofre pelo Botafogo e perde a vida pelo partido político que não lhe traz nenhuma alegria, sofre dos dois lados e perde a total razão quando trata política com paixão. Seu partido é como um time de futebol. Ele esquece que na política não tem divisão de base, não tem amadores. Neste campeonato, só os jogadores ganham e a torcida perde. E nem sempre temos o VAR pra corrigir desvios ou equívocos.

 

Política e futebol fazem parte da minha vida sim. Assim como a razão e a emoção e sei separar muito bem as duas coisas. 

 

Não tenho ídolos na política e nem carrego bandeiras para partidos. Por isso defendo que deveria ser permitido as candidaturas independentes, assim iríamos ficar mais nas propostas e menos nas organizações. 

 

Política não é futebol. No futebol temos FIDELIDADE, pois existe PAIXÃO. Na política não existe isso e é por este motivo que eu mudo sim de opinião, de candidato e de partido, de acordo com a minhas convicções e das propostas que cada um me apresenta. Não podemos ser céticos e míopes pra enxergar apenas uma versão e torná-la verdadeira eternamente. Na política não existe isso. 

 

Bato palma para as boas ideias coletivas e cravo meu voto nessa linha de raciocínio. 

 

*Davidson Botelho é empresário 

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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