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Artigo

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A importância do SUS para resguardar a saúde da população negra brasileira

Por Marta Rodrigues

Foto: Divulgação

Nesse momento de pandemia, precisamos ter uma ideia mais concreta das condições socioeconômicas dos afetados e cobrar o fortalecimento do SUS, cujos os 67% dos brasileiros que dependem exclusivamente do Sistema são negros.

 

Conforme a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade,   também os negros são a maioria dos pacientes com diabetes, tuberculose, hipertensão e doenças renais crônicas no país. Estas doenças são consideradas as que mais colaboram para o desenvolvimento do agravemento do coronovírus.

 

O Ministério de Saúde divulgou dados no dia 10 de abril que mostram que o vírus tem sido mais letal entre a população negra. É uma pesquisa emblemática, pois embora os negros sejam minoritários nos registros, pretos e pardos representam quase 1 em cada 4 dos brasileiros hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (23,1%) mas chegam a 1 em cada 3 entre os mortos por Covid-19 (32,8%), ou seja, a taxa de latalidade é de 9,7%.  Já entre os brancos, a diferença entre as pessoas que contraem a doença e morrem é de 9,4%.

 

Aparentemente, parece uma diferença muito pequena, mas ela nos mostra vários panoramas.  Um deles é que a taxa de letalidade, até então, tem sido maior na maioria da população brasileira - 56% é negra e parda, conforme IBGE, outro é que é maior as chances de subnotificação de registros da doença  entre a população negra, a maior desassistida dos serviços de saúde no país.

 

Sem saneamento básico, em condições precários de moradia, os negros que são maioria nessas localidades estão favorecidos a terem as comorbidades que agravam a doença. Saber o quantitativo de afetados por raça/cor e gênero se faz fundamental, principalmente quando a maioria  dessa população reside nas periferias, a maioria delas consideradas aglomerados subnormais e mais suscetíveis a disseminação do coronavírus.

 

A pandemia mundial chega justamente num momento no Brasil que a pauta era de estatização do serviço público, inclusive com defesas no Congresso pela valorização dos Planos de Saúde e diminuição da verba do SUS, que tem R$5 bi travados pela PEC do Teto dos Gastos.

 

E agora, essa pauta vai por água a baixo, pois tem sido justamente o SUS, as universidades, institutos de pesquisa como FioCruz, que tem nos apresentado soluções e todo o aparato para se combater o vírus e sua disseminação.

 

Não fortalecer o SUS e reconhecer a importância nesse momento de fazer a pesquisa socioeconômica e racial dos infectados, é por em pratica uma necropolítica - que está claramente sendo a intenção de Bolsonaro em seus discursos contra o isolamento social e o retorno das pessoas às ruas - voltada para o genocídio da população negra, que é a que mais usa o sistema, a mais necessitada dos serviços públicos e do SUS.

 

Apesar de subfinanciado, SUS é o único no mundo a oferecer todo tipo de atendimento a todos. Sem ele, um teste de Covid-19 custaria pelo menos R$ 5 mil, o que a população negra do nosso país, e de nossa Bahia, não tem condições de pagar.

 

A valorização do SUS, que perdeu R$ 20 bilhões para o pagamento de juros só no ano passado, se faz essencial, pois mesmo nessas condições de sucateamento, consegue oferecer todo tipo de tratamento para a população. E o principal que a população brasileira precisa saber, principalmente a classe media que defendeu o fim do SUS influenciados pela ideia de Estado Mínimo,  é de que todo mundo necessita do SUS o tempo inteiro.

 

O exemplo dos Estados Unidos, que está entrando em colapso, junto com outros países como a Itália, que não dispõem de um serviço como o  SUS, nos mostra a necessidade de fortalecermos o sistema. Por lá, muitas pessoas estão internadas em casa e os médicos obrigados a escolher quem vive ou morre.

 

O povo brasileiro, negro, maior parte da população, depende desse sistema, mas a classe média que tem seus planos de saúde também. Defender  o SUS não só vai ajudar nosso país a superar esse período tenebroso, como nos mostra que o futuro para uma nação saudável e equidade social precisa da intervenção do Estado, principalmente na saúde, na educação, no seanamento básico, na alimentação e na habitação.

 

*Marta Rodrigues é vereadora de Salvador pelo PT

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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