Coronavírus: as evidências científicas e os aprendizados para a sociedade
Não há solução simples para um cenário tão complexo. Vejo na fala dos produtores de alimentos, assim como profissionais autônomos, o desejo do retorno da sociedade às ruas. Ouvi esses dias na TV: “o que queremos contar, mortos ou desempregados?”.
A diversidades de posicionamentos é compreensível, mas a avaliação das evidências científicas é imperativa. Até termos tecnologia comprovada para tratamento e prevenção, não é seguro liberar à população para a exposição ao vírus.
O coronavírus apresenta uma alta transmissibilidade, uma letalidade, que apesar de não tão alta, leva, quando na forma grave, a uma necessidade de estrutura hospitalar complexa, para tentar salvar a vida. Podemos não ter uma sociedade tão envelhecida, como a Itália, mas os números de pessoas com comorbidades é muito grande.
Apesar disso, o Brasil está em uma posição privilegiada em relação a essa pandemia e dentro do Brasil, a Bahia também está em vantagem (talvez porque: “Deus é Brasileiro” e temos aqui na Bahia o Senhor do Bonfim e a Santa Dulce dos Pobres). O fato de a pandemia ter iniciado em outros países, nos coloca em situação de nos beneficiarmos das suas experiências, além da oportunidade de desfrutar do saber científico, que está a “todo vapor” para produzir tecnologias e conceitos, fundamentais para tomada de decisões.
Fica claro que essa questão não pode ser tratada por “heróis”. Ninguém resolverá sozinho. Nem governo, nem produtores, nem profissionais liberais, nem sociedade. Precisaremos do sacrifício de todos, pelo bem mais precioso: a vida, que pode ser de um amigo, um pai, uma avó.... isso não tem valor.
A Defesa Sanitária Agropecuária nos mostra que, inquéritos soroepidemiológicos são fundamentais para tomada de decisão. Neste caso, vejo com muita esperança a importação de kits diagnósticos anunciados. Um grande movimento de testagem da população e liberação racional para as atividades me parece um caminho, teremos tempo também, aqui na Bahia, se tudo continuar no ritmo lento de propagação, de prepararmos leitos hospitalares e quem sabe ter um protocolo testado e aprovado para o tratamento.
A pobreza precisará ser enfrentada, o governo e a iniciativa privada, terão de assumir a responsabilidade com a distribuição/compartilhamento de renda. Quem tem um pouco mais, terá de dividir, e em especial, o Governo Federal terá de encontrar modelos que vejam os setores, em com atenção ao agropecuário com o cuidado merecido.
Talvez estejamos vivendo um momento de oportunidade de evoluirmos como sociedade, com respeito ao outro e valorização dos que realmente contribuem para nosso país. Que Deus, Senhor do Bonfim e a Santa Dulce dos Pobres tomem conta de nós.
*Maria Tereza Mascarenhas é médica-veterinária, conselheira efetiva e membro da Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia. Especialista em Vigilância Epidemiológica, Sanitária e Ambiental em Saúde e em Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal
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