PT PARA PETISTAS

Marcelino Galo
Como muitos acompanharam, o segundo turno do processo de eleições diretas do Partido dos Trabalhadores aconteceu em dezembro de 2007. Sobre o resultado foram apresentados mais de 60 recursos que denunciavam diversos tipos de irregularidades que feriam nosso estatuto e o regulamento. Por conta disso, não houve resultado proclamado e a Executiva Nacional do Partido tomou para si a tarefa de definir os encaminhamentos necessários.
Foi constituída, com esse intuito, uma comissão formada por nove membros em uma composição proporcional ao novo diretório nacional. Esta Comissão, reunida na última segunda-feira decidiu pela realização de novas eleições, que definirá quem será o Presidente do PT no próximo biênio na Bahia. A eleição acontecerá no próximo dia 16 de março.
Vale ressaltar que nenhum dos recursos apresentados foram julgados ou apreciados. Isso significa que, ainda que a decisão tenha o objetivo de garantir uma solução para este impasse, não garantiu algo que é fundamental para nós: a apuração dos fatos e responsáveis por este desgastante processo que fere os princípios da democracia e transparência, bandeiras que tanto lutamos ao longo da nossa história.
Os recursos versavam sobre diversos temas, que vão desde falsificação de assinaturas de filiados até anúncio de resultados de cidades onde não houve PED. Esse triste episódio que envolveu, inclusive, companheiros dirigentes do partido nos alerta para uma certeza: que no PT eleição não se ganha no grito ou com práticas autoritárias, mas que é preciso muita política, muita militância e mobilização social. E de uma coisa temos certeza: esse tipo de prática não pode acontecer no PT.
Portanto, defender a apuração dos fatos e pedir o devido esclarecimento dos responsáveis é a melhor maneira que temos de preservar o patrimônio ético do partido. O que está em jogo, portanto, é mais do que as diferenças políticas entre as duas candidaturas. Está em jogo a garantia de que a vontade dos filiados estará realmente representada.
Temos, agora que nos preparar para outra etapa e olhar para frente, pois as tarefas não são poucas. Precisamos organizar o partido para a disputa eleitoral que se aproxima, debater a tática que nos permitirá eleger o maior número de prefeituras e vereadores, continuar ajudando e dialogando com o governo que conquistamos. Sobre Salvador, por exemplo, é preciso que o PT decida, finalmente, sobre que decisão tomará quanto à permanência no governo e como vamos debater o lançamento de candidatura própria à prefeitura da cidade.
É por isso que convidamos a militância petista para comparecer as urnas no dia 16 de março e participar deste que deve ser um processo democrático que demonstre maturidade política e respeito aos filiados e às instâncias do Partido dos Trabalhadores, sem fraude.
* Marcelino Galo é presidente estadual do Partido dos Trabalhadores na Bahia e candidato a reeleição.
