O CARNAVAL DA BAHIA! ONTEM E HOJE

Victoriano Garrido Filho
“Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará”!
Lulu Santos e Nelson Motta
Se tudo passa, tudo passará, com o carnaval da Bahia, não poderia ser diferente. Relembrando os carnavais que já passaram em minha vida, resolvi fazer esta crônica, pois recordar é viver...
OS CLUBES
O carnaval dos clubes era uma delícia! Ficávamos dando voltas no salão, ao som de marchinhas animadas, aguardando ansiosos o “Corre Corre Lambretinha” para acelerarmos o passo! Quem não lembra com saudade do Baile Preto e Branco do Bahiano? Ou das festas do Centro Espanhol, na Vitória? Época que as músicas eram mais importantes que os músicos e os artistas! Hoje, temos uma exceção, criada por Carlinhos Brown, com o Baile do Bloco Parado e a lembrança da lambretinha, nas memoráveis voltas no Gueto / Museu du Ritmo, da sua Timbalada.
A RUA
A Rua também se transformou! A Praça Castro Alves, assim como a maioria dos circuitos, já não é tão do povo assim, pois foi privatizada para turistas e bacanas, que pagam caro para sair nos blocos. Ao povão, restou neste nosso “Apartheid” camarada, o emprego de cordeiro a R$ 20,00 o dia, catar latas e ficar espremido no passeio. Ë bom que se diga também, que é a única chance do povo ver seus grandes ídolos de graça, pegando carona nos Blocos. O que precisa é ordenar melhor o espaço público.
FORÇAS ARMADAS
Uma lembrança dos tempos de menino que guardo é quando íamos passear na orla de Salvador, na nossa velha Rural e passávamos pelo Quartel de Amaralina. Via o cuidado de meu pai, de não invadir a faixa da direita, onde carros não podiam transitar. Eu, menino impregnado com as histórias da revolução, ficava tenso, já nos imaginava presos por cometer tamanha infração. Hoje, vejo com graça este quartel se transformar em “lounge” para socialites e militares foliões cedendo espaços para construção de camarotes. Uma idéia! Que tal ali no Quartel da Aeronáutica, um Bem Público, funcionar um camarote para o povão como temos no Campo Grande?
ORGANIZAÇÃO
O carnaval era uma despretensiosa festa, uma brincadeira entre amigos, de onde surgiram inclusive a maioria dos blocos e agremiações. Hoje, virou negócio de gente grande, um exemplo de profissionalismo, atraiu o interesse de patrocinadores do nosso Sul maravilha e movimenta milhões. Faz parte de uma estratégia que vende nossa pobre Bahia, como terra folclorizada da alegria, terra de berimbaus metalizados, uma espécie de “Ilha da Fantasia”, do seriado da TV.
FOLIÃO
Dos alegres “caretas” da minha infância, nosso folião também mudou. Trocou sua mortalha por um abadá, onde “mauricinhos” doidos para beijar as “patricinhas”, se misturam a foliões fantasiados, cada vez mais raros. Mérito a Margareth Menezes, que com seu bloco dos “Mascarados” dá uma contribuição incrível à memória do nosso carnaval.
Agora uma constatação! No meio de tantas mudanças, consegui achar alguma coisa que continua igual. É que atrás do Trio Elétrico (que mudou, pois já foi uma Fobica), como diz nosso poeta Caetano, continua só não indo quem já morreu! Viva o carnaval!
Victoriano Garrido Filho é administrador e presidente da ADVB - Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing da Bahia
