Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Alexandre Peixe fala da sua trajetória até virar cantor e faz reclamações enquanto compositor

A entrevista desta semana é com o cantor e compositor Alexandre Peixe. Ele que não acredita apenas em sorte para o sucesso, diz como emplacou na carreira de cantor, as novidades do DVD e como é compor para grandes nomes do Axé music, como Chiclete com Banana e Ivete Sangalo. Confira na Coluna Holofote!

Coluna Holofote: Você é atualmente um dos maiores compositores de axé da Bahia. Como foi para você ter sucessos estourando na interpretação de grandes nomes baianos, como Bell Marques, Durval Lélys e Ivete Sangalo?
Alexandre Peixe:
Acho que todo compositor sempre sonha em ver suas canções estouradas nas vozes de grandes artistas. Especificamente o autor que vive muitas vezes somente disso. Na época em que eu era só compositor e ainda não cantava, em  especial pra mim , meu maior sonho era ter uma música minha gravada por um grande  artista, uma grande banda, um grande ídolo. Acho que não só pra  mim como para todos os artistas é uma alegria grande uma satisfação, um orgulho ter  canções gravadas por esses artistas ai e tantos outros maravilhosos  aqui da Bahia. 

 
 
CH: A impressão que tenho quando escuto suas composições é que você direciona muito para a banda. "A fila andou", para o Chiclete, "o Asa arrêa", para o Asa de Águia. Quando você compõe é realmente assim, segmentado, do tipo... Você para e diz: "vou compor para a Ivete, ou o Durval", enfim... Ou não, as coisas fluem naturalmente?
AP:
Bom, o Asa arrêa não fui eu quem fiz para o Asa, é  um grito de guerra que o Asa  já usa aí nas músicas, no  show. "A Fila Andou" é realmente uma música minha e de Beto Garrido que Chiclete gravou. E a pergunta quanto a ser  direcionado ou não, eu acho que algumas situações o artista pede uma música porque tá com um prazo pra entrar em estúdio pra gravar e aí, a gente dedica um tempo para aquele artista, porque existe um prazo mais apertado. E quando isso acontece, nós, compositores, acabamos por focar em uma criação mais na linha do artista. Mas, de modo geral a gente compõe de forma livre e algumas vezes as músicas ficam com a cara de um artista ou de outro lembra mais a linguagem, o estilo, a melodia e outras vezes a gente tenta criar uma coisa mais direcionada mesmo.

 
 
CH: Você acha que é devidamente reconhecido como compositor? Já ganhou
prêmios? Quais?
AP:
O fato de ter podido hoje ter a carreira de cantor me deu uma visibilidade que, talvez, se eu fosse só autor e compositor não tivesse essa chance. Acho que, a partir do momento que eu comecei a gravar, cantar e ir aos shows, citava umas canções que o público conhecia só na voz dos intérpretes, mas não associava ao compositor. Aí, eu tive uma chance de mostrar esse lado que talvez as pessoas nunca tivessem a  chance de  saber. Então, eu me considero um autor, nesse sentindo, até privilegiado porque eu estou cantando e  posso divulgar . Mas, de um modo geral, as músicas ficam atreladas a quem grava. As pessoas,  muitas vezes, não sabem quem é o compositor, o que é uma pena! Acho que a mesma divulgação que se dá pra obra, deveria ser também dada ao compositor, que é merecedor disso. E prêmio, eu já tive a oportunidade de ganhar o Troféu Caymmi 99 com a melhor música daquele ano, a "Tá tudo Bem", que Ivete gravou e, em 2003, eu ganhei o prêmio de melhor música  do carnaval de Salvador que foi a "Voa - Voa", que Chiclete gravou, que é uma música minha e de Beto Garrido.

 
 
CH: Como e por que resolveu virar cantor também?
AP:
O lance da virada para cantor, não foi muito planejada. Na época que eu fazia essa coisa de compor, eu fazia coisas menores: montava um show, fazia um mês, dois meses um barzinho, sempre coisas meio despretensiosas... Mas, com um projeto que eu montei há uns quatro anos atrás chamado Alexandre Peixe canta Axé das antigas, eu fiquei uma temporada de quase seis meses fazendo esse show na boate Fashion Club, que não existe mais, agora já tem outro nome. Nessa experiência que eu  tive com palco é que eu me vi na situação de tentar encarar essa  carreira de cantor também, porque você acaba juntando todas  as facetas da música, não só de compor  como também de estar no palco cantando. Foi esse  projeto que me levou e, a partir desse show, foi que eu fui convidado a  fazer parte da produtora Pequena Notável , que eu toquei  a carreira de cantor profissionalmente, também.


 
CH: Você acha que, para o sucesso de um cantor ,é necessário misturar sorte e talento?
AP:
Eu acho que a palavra sorte é um pouco subjetiva também. Acho que, muitas vezes, é um esforço recompensado, digamos assim... Acho que o talento tem que existir, claro, mas assim, se você for uma pessoa do tipo que, só por uma música que venha acontecer, ou um show feliz, ou por um momento você estar no momento certo e na hora certa, você contar que isso vai ser a virada da sua carreira, eu acho que não conta só isso. Acho que você pode estar fazendo seu trabalho, usando seu talento na maior dedicação possível e contar com uma sorte de um determinado momento para que uma música sua possa cair numa trilha sonora, porque um personagem tem tudo a ver com a letra. Claro que isso ajuda demais na carreira! Ou então, um tema  cair no gosto popular e você ter uma visibilidade nacional e as pessoas derem uma atenção maior a seu trabalho. Mas isso só vem a ser uma coisa que lê de longevidade se tiver base, se tiver algo a mais pra mostrar... Acho que a sua sorte não faz uma carreira ser duradoura de jeito nenhum.
 
 
CH: Há quantos anos está rolando o Harém? Vários convidados especiais já
marcaram presença. Como é dividir o palco com alguém que faz sucesso com uma composição sua, como Durval?
AP:
O Harém está completando neste ano de 2009 o quarto carnaval, justamente os quatro anos que eu tenho na carreira de cantor. Eu nasci junto com o Harém, um projeto super inovador que já tem uma identificação com o público, não só dos ensaios, das festas que tem a marca Harém, mas também do carnaval no Bloco Harém. E dividir o palco com alguém que gravou canção minha, é uma experiência super diferente e bacana de viver. Durval sempre foi ,pra mim, uma referência de ídolo, um cara que eu me espelho muito como caráter, artista, compositor, como instrumentista. Então, estar ali no palco cantando junto com ele e eu também tive a honra de ser convidado esse ano pra participar da gravação do DVD do Asa no Rio de Janeiro, então a gente fica meio extasiado de estar ali, naquele momento... A ficha só cai no outro dia. É
muito legal essa experiência, sem dúvida.
 
 
CH: Este ano você lança o seu DVD, no Alto do Andu. Como foi gravar esse
primeiro trabalho?
AP:
Na verdade este é meu segundo DVD, algumas pessoas não sabem que eu fiz, há dois anos, um DVD acústico que foi gravado na Ilha do Sapis, estúdio de Carlinhos Brown. Mas foi um DVD que eu gravei de  forma independente, concertado em banco, com arranjos completamente acústicos, só de regravações dessas canções de compositor  que marcaram minha carreira. Mas foi uma experiência inicial, com imagem bacana. Mas eu considero esse DVD "Peixe ao vivo em Salvador" um show de fato, porque mostra a trajetória desses mais de dez anos que tenho como compositor e mostra esses  quatro anos que tenho como cantor. 


 
CH: Só tem composições suas?Quais artistas participam? AP: São 11 composições inéditas. A maioria delas em parceria com Beto
Garrido, meu parceiro mais presente em minha carreira. Tenho uma parceria também com Anderson Cunha e meu percussionista Marquinhos Masque e Jota Anderson. Mas é realmente um DVD autoral e registra também algumas dessas canções que marcaram minha carreira de compositor. Também tive muitos convidados maravilhosos, especialíssimos como Durval, Jorge & Mateus, que é uma dupla sertaneja que tá fazendo maior sucesso no Brasil e representa a nova geração da música sertaneja, o que se chama de sertanejo universitário, tem também Larissa Luz, a nova cantora do Ara Ketu... Enfim, acho que é um DVD muito legal, que marca dez anos de compositor e quatro de cantor, muita música nova, artistas, amigos, parceiros, presentes no trabalho e tenho certeza que as pessoas irão curtir esse trabalho que foi super bem gravado... Eu sou suspeito a falar, mas achei o resultado dele muito bonito, especial e muito astral.



CH: Quantos CD's você já lançou em sua carreira?
AP:
Eu fiz com esse DVD meu quarto registro. Eu fiz um CD acústico logo quando comecei o Axé das antigas; fiz o Luau Bahia, foi o meu primeiro registro; fiz o '"Alexandre Peixe na Fashion Club Ao Vivo";  depois fiz o "100% Peixe" que foi o CD e o DVD acústico que eu falei há pouco e esse novo trabalho. Então, foi um trabalho por ano.

 
 
CH: Convida a galera para curtir o seu DVD e explica o que vai ter de bom...
AP: Nosso verão e nosso carnaval de Salvador, e depois os carnavais que rolam pelo Brasil todo são regados por músicas baianas, pelo axé music, música de festa pra cima e esse DVD tem um astral, porque o Andu é um lugar especial com muito verde... Foi um dia maravilhoso, de casa cheia, todo mundo participando com a gente. Então, esse DVD tem muita coisa legal pra se ouvir e tem todo esse clima que Salvador que a gente respira no verão, no pré-carnaval e no próprio carnaval. Em conseqüência disso, esse DVD traz esse astral, essa trilha sonora que a gente curte ouvir em todos os carnavais que rolam aÍ pelo Brasil e até fora, quem sabe. Então, eu digo que vale a pena conferir este trabalho que está muito bacana e tenho certeza que vocês vão curtir também.




Por Driele Veiga 



Compartilhar