Asas Livres falam sobre gravação de novo DVD: ‘Só sofre quem ouve arrocha’
A banda Asas Livres se prepara para gravar, no próximo dia 22, o DVD “Asas Livres Pool Party”. O evento acontecerá no Oratório Eco Club & Spa, em Ilha de Maré. Jailton Barbosa, fundador do grupo, falou com o Bahia Notícias sobre as novidades e as dificuldades para lançar um novo projeto em um ano em que o axé era a principal força da Bahia. "Na época, o axé era muito forte. A gente não tinha condições de uma banda do interior concorrer com grandes nomes. Na época, a gente falava em Chiclete com Banana, Ivete Sangalo... Não tinha como concorrer. A gente tinha que criar algo para poder sobreviver no mercado e, na época, estava muito forte o romantismo. Comecei a criar o ritmo, peguei as músicas românticas da atualidade, de Zezé, de Leonardo, o sertanejo, e adaptei essas músicas. Quando chegou o ano de 2000, foi ‘Tudo Azul’. Eu me sinto realizado e é por isso que resolvemos mostrar essa nossa alegria", contou Jai.
Vocês estão relançando a banda agora e, depois de alguns meses, como está a recepção do público a essa nova formação?
Vocês estão relançando a banda agora e, depois de alguns meses, como está a recepção do público a essa nova formação?
Jailton: Na verdade, o Asas Livres já tem 30 anos de estrada e, graças a Deus, 15 anos de sucesso. O Alan já era do Asas Livres e agora está de volta. Léo Rios também já tem uma legião de fãs, então eu fiz questão de trazer pessoas conhecidas para tocar esse projeto das antigas. Parece até que Alan nunca saiu.
Léo Rios: Na verdade, não mudou muita coisa. Alan Delon já fez parte da nossa formação de 2004 a 2007, então não teve um choque de fã. Onde a gente chega, a receptividade é a mesma, como se sempre fosse essa formação. Então a gente mudou, o Alan voltou, mas não teve o choque porque são figuras que já fazem parte da história do Asas Livres. A gente só botou o trem no trilho.
E nós estamos comemorando, esse ano, 30 anos de axé e o Asas Livres começou mais ou menos na mesma época. Como foi essa competição?
Jailton: A gente era uma banda de axé, mas, na época, o axé era muito forte. A gente não tinha condições de uma banda do interior concorrer com grandes nomes. Na época, a gente falava em Chiclete com Banana, Ivete Sangalo... Não tinha como concorrer. A gente tinha que criar algo para poder sobreviver no mercado e, na época, estava muito forte o romantismo. Comecei a criar o ritmo, peguei as músicas românticas da atualidade, de Zezé, de Leonardo, o sertanejo, e adaptei essas músicas. Quando chegou o ano de 2000, foi "Tudo Azul". Eu me sinto realizado e é por isso que resolvemos mostrar essa nossa alegria.
E para o repertório desse novo DVD, vocês estão preparando um repertório novo ou vai ser com os sucessos?
Alan: Esse vai ser o show atual do Asas Livres e, durante o show, a gente conta um pouquinho da história de como começou, com "Tudo Azul", "Fica Comigo". A gente queria mostrar um pouco do que a Bahia tem de bom, e o local onde a gente vai gravar nos proporciona isso. A gente queria ter esse clima de verão, e vai chegar o verão 2016. O lugar é lindo e a gente vai cantar o amor. Para a gente, é uma novidade, já que a gente vai cantar música romântica em um clima tropical.
Léo Rios: Quando tivemos a ideia de gravar esse DVD de 30 anos do Asas Livres, buscamos unir coisas que realmente combinassem, coisas bacanas para inovar. Pegamos sucessos atuais e outros da história do Asas Livres.
E vocês também lançaram o clipe de “A Gente Só Dá Valor Depois Que Perde”... Como vocês escolheram essa música de trabalho para lançar o vídeo?
Alan: O clipe foi mais uma ideia da Showmix. A gente gravou em vários lugares bem legais aqui de Salvador, como a Praia do Flamengo e o MAM. A música é de Jean Caralho e a gente quer agradecer e dizer para ele que a gente está muito feliz com essa música maravilhosa. É uma música que fala do dia a dia, com que todo mundo se identifica.

Banda vai gravar DVD com pool party | Foto: Virgínia Andrade / Bahia Notícias
O último CD de vocês foi um sucesso, com mais de 200 mil downloads em 15 dias. Vocês acreditam que a internet ajuda a divulgar a sua música?
Léo Rios: A gente quer agradecer aos fãs. O nosso novo CD já está disponível em todas as plataformas. Foi um CD ao vivo em Feira de Santana, feito com muito carinho, mas estou muito feliz com a aceitação. Tenho até contato com algumas pessoas que trabalham com venda de CDs e me falam que é um dos mais procurados. Esse CD é promocional, a gente traz regravações de artistas do cenário nacional e músicas da história do Asas Livres. A gente está tentando, agora, fazer um CD totalmente autoral, preparar para o primeiro semestre do ano que vem, um CD projetado para as gravadoras também. Esperamos, em menos de 15 dias, o dobro dos acessos.
Jailton: Na época em que eu comecei, muita gente não tinha condições nem de ter um aparelho de CD. Há 30 anos, para fazer sucesso era muito tempo. Para gravar, era muito caro, e para chegar até as pessoas levava média de um ano. Tanto que as bandas gravavam um CD por ano. Se convertesse esses números de agora, a gente ganhava o CD de platina.
Alan: Antigamente, as pessoas não tinham tantas condições de comprar um CD, já que era R$ 40, R$ 50. Hoje, o pobre tem acesso à internet, e pode ter o CD que ele quiser.
Por fim, com todo o sucesso do arrocha e de Pablo, muito se fala sobre a “sofrência”. Ele é um ex-vocalista do Asas Livres e ajuda a lançar esse ritmo, criado por vocês, para o resto do país e até ajuda em um envolvimento maior com outros ritmos. Como vocês veem essa ascenção?
Jailton: Tudo o que foi criado, foi modificado. Eu sou conservador do meu ritmo. Se existem outros tipos de arrocha, não caracterizo como arrocha autêntico. As tendências vão mudando. A ostentação, mesmo, não vejo como o verdadeiro arrocha porque é totalmente diferente. O sertanejo, que abraçou o arrocha, pegou com outra filosofia. O nosso arrocha autêntico, original, é o berço de tudo isso. É muito bom porque abriu várias portas e renovou.
Alan: Só sofre quem escuta arrocha. A sofrência é uma consequência. O ritmo se chama arrocha, não se chama sofrência, a não ser que alguém invente um ritmo e dê esse nome. Agora falar que a sofrência é a mesma coisa do arrocha? Não existe. É a mesma coisa de falar que a alegria é o axé. A sofrência é uma consequência do arrocha.
