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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Banda Voa Dois

Neste bate papo descontraído, Katê e Fredd falam da emoção que sentiram ao ganhar o Troféu Dodô&Osmar nas categorias banda, cantor e cantora revelação. Falam sobre como tudo começou e sobre os percalços que passaram no percurso que os levaram ao sucesso. Os fãs, que são o alicerce para sustentar a carreira de qualquer artista, também foram citados nesta entrevista. Katê e Fredd falaram sobre comportamento perante a mídia e sobre como lidam com as críticas depreciativas, além de citarem suas maiores influências musicais.
 
 
 
Coluna Holofote: A expectativa de vocês referente ao troféu Dodô e Osmar foi cumprida? Vocês esperavam que fossem ganhar os prêmios ou que fossem ao menos ser indicados ?
 
Katê: Minha expectativa era que, na medida que o trabalho fosse acontecendo e que as músicas fossem sendo tocadas nas rádios, receberíamos o carinho do público e o reconhecimento. Foi exatamente isso que aconteceu durante o ano e no carnaval. Tocamos cinco dias no carnaval de Salvador e foi um carinho enorme do público que nos recebeu com muitos cartazes e manifestações de amor. A gente via que o Voadois tinha caído nas graças do povo. O mesmo aconteceu na entrada do Troféu Dodô&Osmar. A galera me recebeu aos gritos, fiquei muito feliz com o carinho e o reconhecimento do nosso trabalho. Eu esperava a indicação, mas não tinha noção do resultado. Fiquei muito contente com o resultado afinal é indicação do povo e é a premiação mais importante do Carnaval de Salvador,o nosso “Oscar”.
 
Fredd Moura: É isso, a indicação para agente foi o mais importante porque era uma indicação de voto popular.  Ficamos muito felizes com essa possibilidade de estar concorrendo com grandes artistas e participando de uma grande premiação. Aliás, para mim, receber esse prêmio do evento mais importante do carnaval da Bahia, que é o Dodô e Osmar, foi maravilhoso; só a indicação já foi muito bacana. A minha expectativa foi grande, eu estava muito ansioso esperando o momento da chegada. Mas foi tudo muito tranqüilo e eu esperava que tudo desse certo. Não só para mim, mas para ela (Katê) também, pois eu torço muito por ela, pois o Voa Dois somos os dois e ao mesmo um só. Com o prêmio de banda revelação eu fiquei muito grato porque os meninos da Voa Dois foram muito perseverantes durante todo o ano, compactuando com as nossas idéias e nossas vontades durante os ensaios e o carnaval.
 
 
CH: Como surgiu a idéia de formar essa banda, que é uma iniciativa diferente aqui na Bahia; um homem e uma mulher cantando juntos?
 
Katê: Eu sempre quis ser cantora de axé, apesar de nunca ter me imaginado cantando com outra pessoa. Foi um desafio que a Penteventos nos lançou e nós topamos. Ela tinha esse projeto de ter sua própria banda num formato inovador no axé, um casal de cantores que cantassem juntos durante todo o tempo. Então na busca pelos cantores, me encontraram, logo depois encontraram Fredd. Ficamos um tempo no estúdio amadurecendo a idéia, pois eu e Fredd temos regiões de voz diferente. Os ajustes foram acontecendo aos poucos. Pouco a pouco definimos também o repertório e como seria a ‘cara’ da Voa Dois. Depois de alguns meses começamos a fazer shows. Estreamos com o pé direito no dia 7/10/2006, em Vitória da Conquista, na Trivela. A partir de então começou a dar tudo certo. Onde a Voa Dois ia, agradava e, em pouco tempo voltava a ser convidada para se apresentar novamente, assim a agenda foi crescendo e o trabalho também.

 
FM: Na verdade a questão de trabalhar e viver da música era um sonho meu e de Katê também. Não nos conhecíamos antes da banda e a Penteventos tinha esse projeto de ter uma banda deles, só que queriam que tivesse um diferencial. Assim, o diferencial do trabalho da voa dois foi uma grande sacada, pois foi um diferencial e ao mesmo tempo um grande desafio, pois ter um homem e uma mulher com timbres diferentes é complicado, mas conseguimos nos adequar ao formato do trabalho. Por conta desse desafio é que surgiu o trabalho da Voa Dois. Uma idéia da Penteventos e que agente abraçou porque queríamos levar para o mundo a nossa música.
 
 
CH: A banda Voa Dois tem um ano e cinco meses de carreira e já conta com várias premiações e com o reconhecimento do público e da crítica baiana. Vocês acham que tudo isso em tão pouco tempo se deve a quê?
 
Katê: Quando eu era mais novinha minha mãe me perguntava que faculdade eu iria fazer e eu sempre dizia: vou ser cantora. Eu sou uma pessoa muito positiva e dentro do meu coração eu tinha certeza de que eu seria cantora e faria sucesso na música. Então eu acho que uma parcela é coisa do destino, de Deus; outra parcela fica por conta de mim, de Fredd, dos nossos músicos e toda a equipe Voa Dois, da nossa produtora competentíssima no que faz. Então, cada um teve sua parcela de contribuição para o sucesso do trabalho. O fato de ser um casal cantando também colaborou, por ser novidade e pela energia em dobro que passamos pra galera, o nosso repertório também agrada, eu sempre recebo elogios do nosso público.
 
 
FM: Eu acho que antes de qualquer coisa, o mais importante foi o diferencial de ter dois artistas cantando o tempo inteiro juntos; temos uma química que é perceptível, nos gostamos e nos amamos dentro e fora do trabalho, isso é o mais importante. Além disso, nós fomos presenteados por Sérgio Rocha (Babado Novo), com a música “Amor Pirei”, canção que agrada todas as camadas da sociedade. Logo em seguida veio a segunda música, “Swing da Voa Dois”, que logo pegou. Tínhamos tudo para dar certo: o diferencial; a primeira canção estourada e logo depois a segunda; e a nossa produtora é experiente, tem suas metas e objetivos e sabe o que quer. Temos também empresários jovens e muito inteligentes. Por outro lado a banda tem bons artistas e boas músicas. Agora, com a gravadora, temos mais uma ferramenta. O sonho e o ideal também são muito importantes.
 
 
CH: Alguns artistas em seu início de carreira se inspiram em alguém. E vocês, se inspiraram em alguém?
 
Katê: Eu sou baiana e cresci ouvindo Axé Music. Tenho referencias em outros estilos, como Lulu Santos, Alcione, Cássia Eller, Elis, Belo, Cazuza. Mas, no Axé eu sempre ouvi todos. Ouvia mais Ivete por que sempre fui fã.Vale citar o lance dela ter me chamado pra cantar com ela no Troféu Dodô e Osmar. Foi a realização de um sonho antigo. Ela sempre dando forca aos colegas e colocando a nossa música lá em cima. Obrigada Veveta! Atualmente tenho escutado o Eva. Saulo me encanta com o seu amadurecimento na música, sua interpretação e suas lindas canções. Sou fã também.

 
FM: Rapaz, eu sempre fui muito fã da música baiana. O movimento me agradou muito; eu ouço axé desde criança. Sempre saí nos blocos e eu era fissurado por trios elétricos; olhava para eles e pensava que um dia estaria ali cantando. Inclusive já fiz backing vocal de Netinho, do Cheiro de Amor e já trabalhei na noite em hotéis, Costa do Sauípe, barzinhos, etc. A música baiana nos faz mexer com a massa e isso é muito bacana. Eu vejo todos os artistas baianos como guerreiros, lutadores, perseverantes, pois, para cantar cinco horas em cima do trio elétrico não é fácil; tem que ter preparo vocal, físico, fono e acompanhamento de nutricionista. Não é simplesmente acordar de manhã e ir cantar. Então, eu gosto muito dos artistas baianos e, entre eles, eu queria citar Saulinho, da Banda Eva, que é um cara que canta muito, é fantástico; Ivete nem se fala, muito carismática e tem uma linda voz. Também adoro Claudinha Leitte e Tatau, que cantam muito. Acho que os artistas baianos serviram de referência porque eu sempre curti todos.
 
 
CH: Vocês acham que a força da banda e das duas músicas já lançadas se deve em parte à mídia baiana? Como é a relação de vocês com a mídia em geral?
 
Katê: Como já disse anteriormente, cada um tem sua parcela. E a mídia também tem a sua. Ajudou e ajuda a divulgar o nosso trabalho para que as pessoas possam nos conhecer e saber sempre mais sobre o nosso trabalho.

 
FM: Ela aconteceu de forma muito natural em como qualquer outro trabalho. O trabalho da Voa Dois não foi um trabalho fabricado. É a junção de dois cantores e eu acho que cada pessoa que está envolvida no trabalho da banda tem uma parcela de contribuição: a produtora, os meios de comunicação, enfim, uma coisa precisa da outra para funcionar. Hoje temos todas as ferramentas.
 
 
CH: Vocês vão fazer dois anos em outubro próximo, e como toda banda ou produto novo, vocês estão suscetíveis a criticas positivas e negativas. Das positivas todo mundo gosta; e com a negativa, como vocês lidam com isso?
 
Katê: Rafa, é tudo tranqüilo porque se Deus não agradou a todos que dirás a gente não é? Cada uma tem a sua opinião e eu acho importante a crítica, por que se criticou positivamente ou negativamente é sinal de que o nosso trabalho despertou interesse, curiosidade e de alguma forma chamou a atenção.

 
FM: Rapaz, eu entendo que tudo aquilo que é novo gera comentários. Já existiram outras bandas (Banda Mel, Bandabah) que tinham mais de um vocalista, mas nenhum que tivesse os dois cantando simultaneamente. Muitas pessoas questionavam se valia a pena encarar esse projeto. Então, por ser uma coisa muito diferente, houve críticas, porém, são necessárias para apararmos as arestas e irmos melhorando. Eu acho que as críticas fazem parte de qualquer trabalho.
 
CH: A Voa Dois já tem certo reconhecimento na Bahia; inclusive com muitos fãs. Com o sucesso vem o glamour, que é característico da profissão de vocês. Isso já está lhes causando alguma privação? Vocês freqüentam os mesmos lugares que antes?
 
Katê: Privação de não poder mais andar desarrumada, ( risos ), de andar pelos lugares e as pessoas ficarem lhe observando o tempo todo. O nome disso é reconhecimento, e eu sempre desejei, ele está vindo e eu estou achando massa. Mas o trabalho ocupa muito o nosso tempo, ai por conta disso deixo de fazer muitas coisas que fazia antes,normais do dia a dia, mas sempre que dá vou no Imbui, bairro onde nasci, ver minha galera, meus amigos de infância.Os mais próximos estão sempre lá em casa também, cantando e tocando violão comigo, lembrando dos velhos tempos e colocando as fofocas em dia. Um deles é Anderson Dantas, meu melhor amigo e compositor da faixa 5 do nosso disco, “Denguinho”, ele compôs a anos e eu sempre dizia, ainda faço sucesso cantando ela, [rsrsrs].Ela será a nossa próxima música de trabalho aqui em Salvador.

 
FM: Estamos com um trabalho ainda começando e eu acho que o mais bacana disso tudo é você ter o reconhecimento. Mas eu que acho que o reconhecimento é natural. Ainda não rolou a coisa da privação, mas eu acho ótimo quando estou na rua e as pessoas falam comigo. Quando não acertam o nome falam: ‘Colé’ Voa Dois. Como tivemos um verão muito intenso ficamos muito cansados, então o pouco tempo livre que agente tinha era pra fazer a divulgação do trabalho nas rádios, TVs, preparação de repertório e ensaios. Por isso nos recolhíamos um pouco mais, porque o cansaço físico pode interferir diretamente no trabalho do artista. Assim, tenho evitado sair, mas não por questão de privação, mas, de descanso.
 
 
CH: Vocês já têm muitos fãs e seguidores. Como é o relacionamento com eles?
 
Katê: A melhor relação possível. Estou sempre em contato com eles dando uma satisfação do nosso trabalho. Agora eu não posso mais porque a quantidade de fãs cresceu, mas, antes eu saia com eles para comemorar seus aniversários. Já levei fã para passear no Farol da Barra e conhecer Salvador.Alguns são tão próximos que os chamo de “fãmigos” – mistura de fã com amigo. Sei exatamente o amor que eles tem por mim, por isso agradeço e retribuo sempre. Amo vocessssssss viuuuu!!!!! Muitos deles vão ler essa entrevista então vou aproveitar pra agradecer mais uma vez. Obrigada pelo amor, carinho e atenção que tem por mim. 

 
FM: Isso que eu faço (cantar) é a coisa mais importante pra mim. Por ser a coisa mais importante na minha vida, o reconhecimento também é muito importante. Então, eu faço questão de receber os fãs no camarim antes ou depois dos shows, porque é bacana para eles ter sua foto, bater um papo com você. Essa relação para mim é importantíssima.
 
 
CH: Falando nisso, vocês já foram paquerados por alguma fã? Se sim, qual foi sua reação?
 
Katê: Sim. Rola sempre né, as piadinhas, cantadas na frente do palco, durante o show. Mas nada que fosse além de boas gargalhadas, por que eu sempre levo na esportiva e brinco.

 
FM: Já fui sim. Rapaz, a reação é massa, porque você vê e ouve muita coisa que não espera. Elas ficam esperando para tirar foto e de repente passam a mão em sua coxa, ficam alisando e fazendo carinho. Mas é massa cara, eu fico lisonjeado porque elas se sentem próximas. Não vou lhe mentir que eu já me senti atraído também [risos] tem muita gatinha na frente do palco. Inclusive eu também já paquerei fã [risos] e fui correspondido, mas não passou para uma coisa mais séria. Por enquanto eu estou solteiro, estou vivendo pro meu trabalho; eu estou num momento muito legal.
 
 
CH: Qual a definição musical que vocês dão para a banda Voa Dois? 
 
Katê: Ah, é o axé. Voadois é uma banda de Axé Music. Mas, se você escutar o nosso CD de carreira,ele tem estilos variados como: baladas, músicas românticas e forrós que colocamos com a nossa roupagem. Nos nossos shows também ocorre essa diversidade. As vezes, colocamos no repertório músicas de pagode e arrocha que fazem sucesso, mas isso não nos descaracteriza do Axé Music.
 
FM: É uma banda de axé, porém, temos uma coisa muito particular de assumir que o nosso trabalho é plural. Conseguimos passear por diversos estilos musicais, mas, adaptando a nossa sonoridade. Inclusive tem músicas que foram lançadas por bandas de forró e que agente conseguiu adaptar à nossa identidade e trabalhar com elas. A força do trabalho da Voa Dois é a alegria. Pode vir axé, pagode, arrocha, mas nós podemos ser classificados como axé music.
Por Rafael Albuquerque.

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