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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

André Ramon, do LevaNóiz, fala dos ensaios, vulgarização do pagode e possível ida para o Parangolé

Por Rafael Albuquerque | Fotos: Claudia Cardozo

Fotos: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias
Para aquecer o inverno dos baianos, o grupo LevaNóiz inicia uma temporada de ensaios na casa de shows Alto do Andu, na avenida Paralela. Para o evento, intitulado “Swing do Leva”, a banda liderada por André Ramon vai fazer o público dançar ao som de hits como “Liga da Justiça” e “Bolimbolacho”, além de novos sucessos como “Assim, ó”. Em entrevista ao Bahia Notícias, o artista fala sobre medo de não repetir o sucesso, vulgarização do pagode e sobre uma possível saída da banda para assumir o Parangolé. Leia a íntegra da entrevista abaixo:

Coluna Holofote: Queria que você falasse um pouco dos ensaios que vão começar no Alto do Andu.
André Ramon:
Vai ter músicas novas e dançantes do CD novo, intitulado “Alegria”. Os ensaios de inverno do LevaNóiz acontecerão a partir do dia 8 no Alto do Andu. As pessoas pediram muito e nós sentamos e conversamos sobre a necessidade de voltar a Salvador. Talvez se estenda até o final do ano, até o carnaval. Vai ser um show mais longo e com muita irreverência. O intuito é testar e apresentar as coisas novas e, a depender da aceitação, sai do ensaio a música de trabalho para o carnaval.

CH: Mas o evento vai contar sempre com convidados especiais? Já tem algo que possa adiantar?
AR: Ah, a escolha é minha e do escritório. É lá e cá pra fechar essa parceria. O intuito é de confraternizar, não só com o público, mas com amigos. E isso deixa os ensaios mais alegre e fortalece o pagode. Não posso adiantar muita coisa, pois é surpresa. Mas, garanto que vai ser bem bacana.

CH: Por que o nome do CD é “Alegria”? Qual a inspiração?
AR:
É porque o CD está mesmo alegre (risos). Tentamos fazer um mix de tudo que tá rolando no Brasil. Tem o funk e o sertanejo, que estão em alta, e o forró. A gente trouxe isso pra o nosso segmento, que é o pagode. As pessoas estão gostando, pois está bem bacana. Quem for no site do LevaNóiz (www.levanoiz.com.br) pode fazer o download.

CH: Com você nos vocais, a banda teve como grandes sucessos as músicas “Liga da Justiça” e “Bolimbolacho”. Qual a próxima aposta?
AR:
É difícil apostar, ainda mais porque agora a responsabilidade é bem maior. Na verdade, o “Bolimbolacho” estava gravado desde a época de “Liga da Justiça” e veio com a aceitação da galera. Temos que trabalhar uma música, mas as pessoas é que escolhem. Atualmente estamos trabalhando a música “Assim, ó”. Às vezes a gente escolhe uma coisa, e o público quer outra. O CD do “Bolimbolacho” já estava pronto, mas tivemos inserir “Liga da Justiça”, pois tocou no Alto do Andu e caiu no gosto popular.

CH: Então foi lá que teve início o sucesso da “Liga da Justiça”?
AR:
Isso. Muita gente pergunta por que escolhemos o Alto do Andu para os ensaios. Escolhemos pelo ambiente, pela energia da casa e pela gratidão, porque a música saiu de lá e foi para o Brasil inteiro.

CH: Fala um pouco sobre o clipe que vocês gravaram no Subúrbio de Salvador.
AR:
Foi o clipe da nossa música de trabalho, “Assim ó”, que tem uma dança muito fácil. Eu quero até deixar um abraço porque as pessoas de lá tiveram um carinho enorme com a gente. A música e o clipe estão tendo uma aceitação muito boa da galera.

CH: Você compõe também?
AR:
Eu escrevo, sim. Nesse CD, tem três músicas minhas: “Sensual”, “Toma que toma” e uma outra em parceria que eu não to lembrando.

CH: Mas como acontece no momento de escolher a música? Vocês já escolhem pensando na coreografia?
AR:
A gente ficou muito marcado com esse lance de coreografia desde a “Liga da Justiça”. Tem eu e as meninas que ensinam as danças. Mas temos um mix de sertanejo e música romântica que não necessariamente tem a coreografia tão marcante. Eu acho que todo trabalho é válido e a coreografia ajuda a crescer a música. Tem pagode que tem letra, tem uns que não têm, tem uns que falam a língua do povo, tem outros que é a dança que marca, e por aí vai.
 

CH: Qual o limite entre o aceitável e a música que passa a ofender e agredir? Existe esse limite?
AR:
Se as bandas tocam isso, é porque tem pessoas consomem isso. Eu passei a atingir um público muito grande, principalmente infantil, com “Liga da Justiça”. Então, a gente veio com o “Bolimbolacho”, e agora com o “Assim, ó”, que é uma dança muito fácil. Então, eu continuo no meu segmento, não quero fugir disso. A gente não explora o apelo sexual como muitas bandas fazem abertamente. A gente trabalha a sensualidade que está presente em todos os segmentos, mas de forma light. A gente não vulgariza nossa música.

CH: Falando em pagode, o que você está achando do pagode atualmente na Bahia?
AR:
Cada um tem seu conceito. A pessoa tem que se sentir bem naquilo que faz; se não se sente é porque está fingindo. Eu procuro sempre me identificar com as músicas que eu canto. Em momento algum eu canto músicas tão pesadas como a gente vê por aí. Se tem banda que toca esse segmento, é porque tem gente que consome. Em minha opinião, falta ao pagode um pouco de união. Deu uma queda devido aos fatos que aconteceram com algumas bandas. Se a gente se unir a gente pode voltar a força que tivemos um dia. Tem também muita briga nesse meio e isso não pode acontecer. A gente tem que passar alegria e não briga para as pessoas.

CH: E por que não há essa união?
AR:
Não sei. Essa pergunta eu não sei responder. Eu procuro me unir com todos. Não sei se eles se sentem bem fazendo isso. Eu quero é passar energia positiva e fazer música de qualidade. Acho que o povo quer ver é música, alegria, união. Se as pessoas se unirem, vai crescer, seja lá pagode, funk, axé, arrocha.

CH: Você não tem medo de não conseguir novamente o mesmo sucesso que vocês obtiveram com “Liga da Justiça”?
AR:
Não falo pela banda nem pelos empresários. Eu, André Ramon, não trabalho em busca do sucesso. Vem naturalmente com o reconhecimento e assim é bem melhor. Eu nunca toquei por dinheiro, por sucesso. Isso tudo é reconhecimento de um trabalho. Toda música tem seu momento e isso passa. Eu venho procurando trabalhar pra ficar bem no mercado da música baiana e brasileira. Não tenho essa psicose de fazer sucesso, e quando isso acontece as coisas demoram mais para acontecer. Isso tudo tem que ser feito com o pé no chão. Eu agradeço a todos pelo carinho, à imprensa, e a gente vem trabalhando com toda a humildade do mundo.
 

CH: Quando você começou a cantar?
AR:
Na verdade, foi em uma banda de Cajazeiras chamada Os Brothers. Mas, profissionalmente foi no LevaNóiz há três anos. Eu sabia muito bem o que eu queria para mim. Se eu não fosse músico, eu seria policial militar.

CH: Você tem algum ídolo ou alguém em que você se inspirou?
AR:
Eu tenho minha referência que é o Harmonia do Samba. Eu escuto todos e gosto de todos, mas o meu espelho é o Harmonia. Xanddy é um cara de dispensa comentários como pessoa e como artista. Eu me identifico muito com a musicalidade da banda.

CH: Como é a receptividade do público por onde você passa?
AR:
Na verdade eu não entendo de onde vem tanto carinho (risos). Muitas vezes a gente espera uma coisa do show, e quando chega ao local é tudo muito mais do que a gente imaginava.

CH: Como é sua relação com os fãs?
AR:
A gente trabalha para eles. É sempre bom ouvir a opinião dos fãs. Quando eles aceitam nosso trabalho, a gente se sente muito mais realizado. Eu procuro sempre responder a todo, porque eu amo meus fãs.

CH: E quando o retorno não é tão positivo?
AR:
A gente aceita também. O pensamento é sempre procurar a melhora, pois nunca está 100%. Tem críticas construtivas e destrutivas. Tem pessoas que são fãs de verdade e outras, não. Muitas vezes são fãs de outras bandas que só querem criticas. Mas isso não me machuca.

CH: Há algum tempo surgiu o boato de que você poderia assumir os vocais do Parangolé. Surgiu realmente esse convite?
AR:
Não, não. As pessoas misturam muito as coisas e aumentam. Léo é meu amigo, o empresário dele, Marcelo Brito, também. A gente sempre conversa, mas essa informação é falsa. Não surgiu o convite.

CH: E se surgisse?
AR:
Quem sabe, né? Nunca se sabe o dia de amanhã. Eu posso falar que não aceitaria, mas aceitar. Tenho contrato com o LevaNóiz e estou muito bem aqui. Eu fico é muito feliz por ter sido lembrado no meio de tantos artistas que fazem até melhor do que eu.

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