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Entrevista

Nira Guerrero ou Nara Costa? Príncipe do arrocha diz quem é a rainha e fala sobre ritmo que criou: o arrocha universitário

Por Fernanda Figueiredo


"A gente ficava na dúvida se o povão ia gostar ou não [do arrocha universitário] e eles acharam até melhor"
 
Coluna Holofote: Lucas, você começou em uma banda de partido alto. Por que migrou para o arrocha?
Lucas Kart: Na verdade, eu já toquei rock’n roll, já toquei tudo, né? Eu sou baterista de origem. E eu tocava nessa banda de samba e, dentro do show, eu saía da bateria e ia fazer momento romântico. Aí eu pegava o violão e ia fazer três, quatro músicas de arrocha. Aí eu cantava Silvano Salles e sabia todos os passos do arrocha.
 
CH: Eu não consigo imaginar um roqueiro arrocheiro. Qual sua vertente musical, afinal? Você se lançou no arrocha porque tinha mais mercado ou porque você gosta mesmo?
LK: Eu sou da vertente romântica. Eu sempre gostei de música romântica e mesmo quando eu tocava rock, eu escutava arrocha. É porque aqui na Bahia, a gente é eclético, escuta tudo. Eu sempre escutei de tudo, até hoje.
 
CH: E por que colocar o nome Kart Love na banda?
LK: Porque, como meu apelido é Kart, a galera começou a me chamar de Kart Love, porque eu fazia esse momento romântico, pegava uma rosa, aos casais apaixonados eu ia lá e levava um buquê de rosas, brincava e tal e daí veio o apelido de Kart Love.
 
CH: E foi essa banda de samba que virou Kart Love?
LK: Não, a banda continuou existindo, eu que saí. Um ano depois, mais ou menos, eu resolvi sair e fazer uma banda mesmo de arrocha, só que um arrocha diferente. A gente não sabia como ia denominar isso, até que a gente chegou no arrocha universitário.
 
 
CH: Qual a diferença do arrocha universitário para o arrocha tradicional?
LK: Na verdade, é uma diferença sonora, porque tem uma banda. A gente faz um arrocha com uma banda completa: bateria, percussão, teclado, sanfona, guitarra. E o arrocha, tradicional, geralmente, é com teclado, faz a programação toda com teclado e a gente faz com banda. E aí a gente tem a possibilidade de mesclar ritmos e tem uma dinâmica maior e tal. Daí que vem o arrocha universitário, o ritmo.
 
CH: Vocês são os únicos a cantar arrocha universitário em Salvador?
LK: Não, nós somos os pioneiros. A gente criou uma marca, o arrocha universitário é uma marca patenteada, como se fosse um selo, né? E hoje em dia já tem algumas bandas usando, fazendo o arrocha universitário, usando a mesma ideia.
 
CH: Isso incomoda vocês?
LK: Não. É um movimento que tem que se unir, não tem jeito.
 
CH: E o público abraçou essa coisa de arrocha universitário ou a preferência ainda é pelo arrocha de raiz?
LK: Essa foi até uma dúvida que a gente tinha, no início. A gente ficava na dúvida “o povão vai gostar, não vai”, mas foi uma surpresa pra gente, porque o povo gostou muito. Não sentiram o choque, não sentiram diferença nenhuma. Eles acharam até melhor. E o grande trunfo da gente é o Pablo, que é o padrinho da banda. Que abraçou a gente, acolheu.
 
CH: Mas Pablo é arrocha tradicional...
LK: É tradicional, exatamente. Mas a gente trabalha com a união. Ele gravou uma música com a gente, que é a música de trabalho da gente, “Vai lembrar” e ele até colocou do CD dele, com a versão dele, do arrocha tradicional. A gente tocou em vários eventos junto com ele, lançamento do disco dele e tudo.
 
CH: E “Vai Lembrar” ficou melhor em ritmo de arrocha tradicional ou universitário, o que você acha?
LK: Rapaz, eu vou lhe ser bem sincero: eu gosto das duas. Gosto mesmo. Eu sou muito fã de Pablo e tudo que ele faz eu gosto muito.
 
CH: Nara Costa diz que faz o maior sucesso no Subúrbio. Vocês fizeram ensaio em Vilas do Atlântico. O arrocha universitário é um ritmo criado para a elite?
LK: Não, não. De jeito nenhum.
 
 
CH: Vocês já fizeram alguma apresentação no subúrbio?
LK: Sim. A gente já fez diversos eventos no subúrbio, inclusive com Pablo, em Periperi, que juntou sete mil pessoas; já nos apresentamos em Candeias; a gente vai fazer agora o “Planeta Arrocha”, que vai reunir Pablo, Kart Love, Tayrone [Cigano], no dia 12 de maio. Então, a gente busca todo tipo de público, até porque, o arrocha hoje em dia é um ritmo universal. Querendo ou não, todo mundo escuta arrocha. Antigamente era restrito, mas hoje em dia... E o crescimento do sertanejo também é importante porque está próximo. E aí, os cantores sertanejos estão cantando música de arrocha...
 
CH: Em seus ensaios de verão, você recebeu diversos artistas como convidados. Dentre eles o próprio Pablo do arrocha, Luizinho do Trio da Huanna, Alinne Rosa do Cheiro de Amor, Léo Santana do Parangolé, Alex Max do Saiddy Bamba... Como foi esse encontro do arrocha com tantos ritmos diferentes?
LK: A gente toca a música deles em ritmo de arrocha. Léo do Parangolé mesmo, a gente tocou em ritmo de arrocha. Óbvio que ele também tocou os pagodes dele; Alinne Rosa foi e nós cantamos, eu, ela e Pablo juntos.
 
CH: Nara Costa disse que você é o “príncipe do arrocha”, sendo que você é iniciante no mercado do arrocha. Como você encara esse título?
LK: Eu me sinto muito honrado, fiquei muito feliz. Ainda mais vindo de Nara Costa, que eu sou muito fã também, ela que é uma rainha. E no arrocha tem muitos reis também.
 
CH: Foi bom você ter tocado nesse assunto. Para você, que está no mitiê do arrocha, afinal, quem é a rainha do arrocha: Nara Costa ou Nira Guerrero?
LK: As duas.
 
 
CH: Tem que escolher uma só...
LK: Não, não tem como. Eu sou fãs das duas, admiro o trabalho das duas, acho que elas são verdadeiras rainhas, então, eu vou ficar em cima do muro, porque não dá para eleger uma só.
 
CH: Me fala da gravação desse DVD...
LK: Pois é. No dia 14 de abril, a gente vai gravar o primeiro DVD da banda, lá no Armazém de Vilas, que foi onde a gente fez nossos ensaios semanais, o “Sabadão Universitário” e lá a gente já tem um público que gosta, que lota a casa, que canta junto com a gente. No repertório eu vou colocar 11 músicas autorais, entre elas “Beber mais uma vez” e “Vai Lembrar”, além de algumas regravações de sucessos do sertanejo e do arrocha.
 
CH: No período junino, é tempo de forró; verão, é tempo de axé. Sobra qual período para o arrocha prevalecer?
LK: O arrocha prevalece o ano todo. Porque o público abraçou, todo mundo gosta de arrocha. Todo momento pede um arrocha.

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