Locutor explica afastamento do rádio, insinua que a Piatã se acomodou e fala do programa na Tudo FM
Há 28 anos no rádio, Anselmo Costa é um dos caras mais habilitados a tecer quaisquer comentários sobre o cenário do rádio baiano. Por isso, nesse bate-papo com a Coluna Holofote, o locutor explicou porque optou, mais uma vez, por se afastar do rádio e explicou o movimento da “dança das cadeiras” que tem vivido os locutores nas rádios de Salvador. E não é só. Para Anselmo, a Piatã, que sempre foi líder em audiência, se acomodou e pode ser passada para trás por outras rádios que vêm se destacando no cenário radiofônico, como, por exemplo, a Tudo FM, nova casa do locutor. Isso mesmo. A nova aquisição da Tudo FM fala sobre o novo projeto, sua aposta na rádio que só faz crescer e conta detalhes do seu programa que estreia nesta segunda-feira (02) e já éo maior sucesso. Confira!

"Eu tenho 44 anos, então eu fiz a analogia da águia: me depenei, quebrei o bico, quebrei as unhas e estou me renovando"
Coluna Holofote: Há algum tempo, você se afastou do rádio. Agora, você passou quase dois anos afastado do rádio novamente. Por que esse afastamento?
Anselmo Costa: O radialista virou empresário, também. Então, a gente está focado em conduzir a empresa, que é uma agência de negócios focada em promoção artística, venda de shows, fazemos divulgação, também, e captação de patrocínios para eventos. É mais ou menos isso que a gente faz na Najj.
CH: A gente quem? Você está numa sociedade?
AC: É uma agência familiar. Sou eu e a família, mas temos muitos parceiros.
CH: Então, você se afastou para dar mais atenção ao seu lado empresário. Esse seu retorno ao rádio não pode acabar prejudicando seus negócios?
AC: Eu acho que agrega. São 28 anos de rádio e esses dois anos que eu me afastei foi para me dedicar a empresa, mas está no sangue, está no veio e a gente está voltando. Foi uma reciclagem também, estou voltando em outro modelo, um modelo de parceria com a Tudo e a Tudo é um projeto que eu acredito muito, porque é um projeto super profissional, com uma turma bacana, que eu já tive experiência no passado – no caso de Luzbel, fomos parceiros na Itapoan.
CH: Durante esse tempo que você ficou afastado, sentiu alguma diferença nas rádios baianas? O que mudou durante esse tempo?
AC: Teve o crescimento de outras rádios. Ou seja: existe um fenômeno, onde rádios do interior estão chegando na capital, então, o ambiente está mais competitivo e também a coisa da tecnologia, a internet, a web chegou como uma parceira, uma nova ferramenta e o rádio está se reinventando.
CH: Qual a sensação de estar voltando agora?
AC: Eu estou muito motivado. Muito motivado pra tocar esse novo projeto.
CH: Na última entrevista que você concedeu ao Bahia Notícias, você elogiou a Piatã FM e deu a entender que ela não precisava melhorar em nada, que ela já estava no topo. É isso mesmo, essa continua sendo a sua visão?
AC: Melhorar, não. Eu disse que ela estava no topo. Mas eu acredito que hoje, com a chegada de novas rádios, e um ambiente muito competitivo e acirrado, o rádio tem que se preocupar muito em reativar a sua audiência, porque existe muito rádio desligado. Eu acho que nosso maior desafio agora é reativar o veículo, religá-lo com um conteúdo mais interessante, com mais dinâmica, com o uso de outras ferramentas – no caso, a internet -, é preciso existir essa convergência.
CH: Mas a sua opinião sobre a Piatã continua sendo a mesma?
AC: É. Essa liderança que a Piatã tem há 15 anos gera um conforto e esse conforto é um risco, eu acho que as rádios que estão aí na disputa pelo primeiro e segundo lugar, elas precisam estar atentas às outras que estão correndo por fora, que é o caso da Tudo FM, por exemplo, e da A Tarde FM – que foram as rádios que tiveram maior crescimento no último ano. A curva dessas duas rádios é crescente, porque elas chegaram impressionando e dando um resultado bacana, porque estão buscando diferenciação e apostando muito em talentos, como no caso da Tudo FM, que foi buscar os talentos da televisão, o talento do jornal, como é o caso de Samuel Celestino; estão apostando em Leandro Guerrilha, que é outro ativo forte, a mim também, que sou uma marca que já está no rádio há bastante tempo. Então, é uma visão bacana, eu acho que o foco no ser humano, buscar o talento e não só acreditar em tecnologia. Então, eu acho que isso é um diferencial competitivo da Tudo.
CH: A Bahia está vivendo uma verdadeira “Dança das Cadeiras” com seus locutores. Em sua opinião, por que você acha que isso está acontecendo?
AC: É porque nós tínhamos uma seleção de rádios, na Itapoan FM, nos anos 80. E depois, nós tivemos outra seleção na Piatã, porque esses que eram da Itapoan foram para a Piatã e agora esses estão ficando soltos. Então, são os talentos e as marcas fortes do passado que estão aí e as rádios estão buscando como seus centroavantes, como jogadores que venham a agregar em seus novos projetos.
CH: Você acredita que isso é uma fase do rádio e que uma hora vai parar?
AC: Eu não tenho garantia disso, porque o ser humano está sempre na vitrine aí para ser valorizado.
CH: Isso é positivo ou negativo?
AC: Positivo. Porque mostra que o veículo precisa muito do talento, é o reforço do talento, não só da estratégia, nem da marca.
CH: Até você entrou na dança das cadeiras. Vai para a Tudo FM. Quando isso acontece, você acha que os ouvintes seguem o seu radialista? Você acha que seus ouvintes da Itapoan, por exemplo, vão para a Tudo FM?
AC: Vamos estar aqui emocionando todos os dias e buscando que eles migrem e a gente vai fazer o melhor, tudo de bom para captá-los, para emocioná-los. Estamos aqui em busca de criar o nosso clube.
CH: O que significa esse momento para você, essa mudança?
AC: É um grande desafio. Quando eu saí da Itapoan foi pra me reinventar, pra me reciclar, pra montar minha empresa e a transformação é importante na vida das pessoas. Eu tenho 44 anos, então eu fiz a analogia da águia: me depenei, quebrei o bico, quebrei as unhas e estou me renovando. E quero me renovar com Tudo FM e fui muito bem acolhido, a equipe é maravilhosa, eu acho que o projeto é campeão, tem muita gente inteligente e pró-ativa e eu quero aprender muito com eles porque eu sou um eterno aprendiz e quero fazer a diferença na Tudo FM, junto com essa equipe maravilhosa.
CH: Como você enxerga a Tudo FM no mercado hoje?
AC: A Tudo FM é uma rádio diferenciada, porque ela tem um compromisso com o ouvinte no que tange a música. Ela é menos comprometida com acordos, então, a música flui, o pedido do ouvinte é mais respeitado. Sem falar na sinergia que existe lá de crescimento. O Beto Fernandes que eu já trabalhei, é um cara muito inteligente; com Fabinho que é o cara da publicidade; o Luzbel, que é o diretor de jornalismo. Então, essa sinergia que existe com essa vontade de crescer faz com que a Tudo FM seja um projeto vitorioso. Ela tem menos interferências familiares, como é o caso de muitas outras.
CH: Por falar em interferências familiares, você teve uma passagem relâmpago pela Nova Salvador. Por que só dois meses, o que não deu certo?
AC: É , porque foi só uma consultoria de dois meses mesmo e foi importante para a minha vida, porque eu também sou consultor de rádio em alguns estados e a minha empresa presta essa consultoria e foi uma passagem curta, mas eu fiz o diagnóstico que eles precisavam e entreguei no tempo que eles pediram. Foi uma experiência interessante.

"Eu sou fã do povo e sou povo e gosto muito"
CH: Como será seu programa na Tudo FM?
AC: O nome do programa é “De Frente para o Sucesso” e nesse programa vão ter quadros. Ele é de segunda a sexta-feira, das 16h às 18h, com os quadros “Pílulas de Motivação”, com auto-ajuda, tem o momento gospel – não focado em religião, mas a gente cuidando do ser humano, elevando a alma, dando essa injeção de entusiasmo e de positividade, de pró-atividade que o ser humano sempre precisa. Vamos ter, também, o “Tudo por Amor”, que é uma quadro romântico na segunda parte do programa, com dedicatórias, declarações de amor, vai ser ao cair da tarde. Então, teremos uma programação, na primeira hora, recheada de sucessos e, na segunda, com a música da sua vida, com a música que marcou a vida das pessoas.
CH: Agora, a Tudo FM está com duas feras do rádio: já tinha Leandro Guerrilha e agora você. Será que isso pode gerar uma briga de egos?
AC: A gente já teve reunião lá, Leandro é um talento que eu sempre quis contratar quando eu era coordenador de rádio, mas não tive essa competência de contratá-lo e, agora, trabalhar junto com ele vai ser um aprendizado pra mim, porque ele hoje é um fenômeno de fidelidade. Pra mim, ele é um pastor no ar, porque ele tem um magnetismo, ele tem uma força, uma comunicação, uma penetração, que ele chega e emociona e isso aí eu vou aprender muito com ele. Então, nós vamos trabalhar em prol do projeto Tudo, não é “euquipe” e, sim, uma equipe.
CH: É difícil fazer um programa popular?
AC: Minha experiência toda foi no popular, né? Eu sou fã do povo e sou povo e gosto muito. Eu acho que seria mais difícil para mim fazer um produto de luxo. Pra mim, o popular é a minha cara.
CH: Quando você está ali falando com seus ouvintes, você encarna um personagem?
AC: Eu acredito que, o que a gente se propõe a fazer é verdade, é a pura verdade. Eu acho que um personagem não duraria tanto tempo. Eu acho que cairia na mentira e o personagem se desconstruiria.
CH: Você é no rádio o que você é na vida real?
AC: Meu apelido é lobby. Eu chego já dando um CDzinho aqui, já dou uma camiseta ali. Então, eu sei agradar. Então, eu sou bom de povo, viu? E por falar nisso, vão ter muitos prêmios em nosso programa, viu? Vamos estar lançando, logo na primeira semana, a promoção do Dia das Mães, onde vai ter o almoço ou jantar pra mamãe no valor de R$ 100. Vamos fazer essa promoção todos os dias. Vamos ter também kits da Água de Cheiro pra mamãe, chocolates e jóias, porque a mamãe é uma jóia.
CH: Você tem ouvintes pentelhos, que enchem o seu saco, ou a galera é tranqüila?
AC: Olha, eu acho que essa coisa do fã... Existe fã de todo tipo. Existe o fã mais presente, o mais intenso, o fã que confunde, às vezes, que se apaixona, aquela coisa de amor platônico, tem de tudo. A história se confunde, é ser humano.
CH: Mas isso te incomoda?
AC: Não. Eu sou casado e já tive minha fase, no início, de pegador. Mas agora eu estou muito respeitador e família. Então, eu encaro hoje o ouvinte como um parceiro. É ele que faz parte do nosso exército, do nosso fã-clube, do nosso eleitorado da audiência e a gente tem que se policiar e ter inteligência para conduzir a coisa.
Por Fernanda Figueiredo
