Anticoncepcionais podem mascarar menopausa precoce, alerta especialista
Médicos apontam que é um equívoco pensar que a dificuldade para engravidar após a interrupção de muitos anos de uso das pílulas anticoncepcionais tenha relação direta com o medicamento. O que acontece é que, mesmo tomando o remédio, algumas mulheres já apresentam de antemão fatores que levam à infertilidade, e só descobrem quando param com a pílula para tentar engravidar. “O anticoncepcional não prejudica a fertilidade, mas o tempo de vida da mulher agirá nas funções reprodutivas, independente do uso ou não. O ‘fator idade’ é o principal vilão”, explica a médica especialista em reprodução assistida Thaís Domingues. O medicamento impede que os folículos ovarianos – “bolsas” que armazenam as células reprodutivas femininas – se desenvolvam e liberem o óvulo, impedindo a gravidez. Se a mulher parar de usar o contraceptivo, ela voltará a ovular normalmente e estará pronta para engravidar de novo. O anticoncepcional pode mascarar problemas que levam à infertilidade como a menopausa precoce, fenômeno que faz cessar a menstruação e as ovulações de mulheres com menos de 40 anos. A doença atinge de 1% a 3% do sexo feminino e reduz as chances de gravidez a apenas 10%. “Nesses casos, o medicamento faz com que os sintomas típicos da menopausa precoce se tornem praticamente imperceptíveis à mulher e, portanto, quando tenta engravidar, a reserva ovariana já está extremamente diminuída, limitando suas chances de ter um óvulo de boa qualidade”, observa a médica.