Médicos de Salvador vão ao STF cobrar legalidade de greve
Por Francis Juliano
Mesmo com o retorno de profissionais em unidades do Programa Saúde da Família (PSF) e da atenção básica, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades de Pronto-Atendimento (Upas) de Salvador ainda não contam com a força máxima. Já correm 73 dias de greve dos médicos da capital baiana que na próxima terça-feira (20) vão a Brasília pedir a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão que suspendeu o movimento no dia 27 de julho. Antes, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) havia autorizado a greve dos soteropolitanos. “Nós vamos tentar derrubar essa decisão para fazer valer nosso direito”, disse em contato com o Bahia Notícias, o presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), Francisco Magalhães. De acordo com ele, até o momento, nenhuma das reivindicações foi atendida pela secretaria municipal de Saúde, o que inclui reajuste de 20% nos salários, melhorias das condições de trabalho, pagamento de insalubridade e periculosidade retroativas, ajuste de carga horária para 24 horas e aumento de 200% na gratificação SMS. Magalhães compara o que é pago pela prefeitura com o que é remuerado em outros locais. "Na Fundação José Silveira o contrato de um médico é de R$ 5 mil. Aqui, uma médica formada em psiquiatria recebe R$ 2,79 mil. Quem vai querer fazer concurso?", questionou.

Foto: Bahia Notícias
Segundo o presidente do Sindimed, a realidade dos médicos da capital está longe dos R$ 8 mil anunciados pelo secretário, José Antonio Rodrigues. Magalhães também reclama de uma recusa do titular da pasta em negociar. "Até hoje, a gente precisou apelar para o Conselho Regional de Medicina (Cremeb-BA), o Ministério Público da Bahia (MP-BA), e o arcebispo [D. Murilo Krieger] para dialogar com o secretário", criticou. Procurada pelo BN, a secretaria de saúde informou, através da assessoria, que a greve não tem prejudicado a população pelo fato de, atualmente, só 56 dos 661 médicos da cidade continuarem ainda paralisados. O déficit de profissionais é amenizado com médicos terceirizados que já atuam no município. A pasta municipal também negou a falta de diálogo e remeteu ao sindicato a intransigência em resolver o impasse.