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Efeito no cérebro provocado por videogames divide opinião de cientistas

Foto: Reprodução / Cena do game Battlefield 4
Com o maior faturamento mundial da indústria de entretenimento, os videogames também tem sido objeto de estudo na academia. Pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, identificaram que os jogadores de videogame têm uma habilidade maior de extrair informações de uma cena. Estudos anteriores já haviam demonstrado que quem usa os consoles com frequência responde mais rápido a estímulos visuais e pode seguir mais objetos em uma cena. Na mesma linha de pesquisa, um estudo da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, ratificou a evidência de melhorias cognitivas entre jogadores de videogames. No mesmo estudo, descobriu-se ainda que os benefícios não são restritos aos jogos de ação, como os populares games em que o jogador assume o papel de atirador. Outro estudo, feito na universidade de Rochester, também nos EUA, comprovou que os jogadores são mais rápidos na tomada de decisões, sem apresentar prejuízo de perda da precisão. Já na Universidade de Michigam, os jogos foram associados a uma melhora da criatividade das crianças.
 
Dislexia
 
A atividade nos consoles também demonstrou melhora na dislexia. Em um experimento na Universidade de Pádua, na Itália, dez crianças apresentaram uma melhora significativa na velocidade de leitura depois de participarem de sessões de jogos de ação.  A neurocientista Daphne Bavelier, da Universidade de Genebra, na Suíça, diz que apesar dos aspectos positivos, a regra não é a mesma para todo mundo. Para ela, as pesquisas devem buscar uma receita que atenda a todos de forma geral. "O desafio que temos pela frente é entender a dieta de vídeogames adequada às crianças, mas, para isso, devem ser consideradas as diferenças individuais," disse. Daphne virou hit na internet com um vídeo num site de palestras populares em que afirma que os videogames deixam as pessoas mais espertas, melhores e mais rápidas. Já o coordenador do Laboratório de Pesquisa em Mídia da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, Douglas Gentile, segue uma linha diferente da suíça. Ele concorda apenas quando o assunto é impor limites.
 
Segundo ele, a sugestão da Sociedade Americana de Pediatria, que prevê uma hora diária em frente a qualquer tipo de mídia digital é o ideal, o que inclui televisão, celular, tablets e mesmo computador, exceto o tempo gasto com tarefas escolares. A mesma entidade aponta que, nos Estados Unidos, crianças permanecem na frente de eletrônicos, em média, sete horas diárias. Gentile enumera efeitos contrários ao tempo excessivo gasto em jogos e destaca a redução da atenção e o aumento da obesidade. No entanto, ele não se diz contrário à opção de entretenimento de 58% dos norte-americanos, segundo a ESA. "Estou dos dois lados", pondera.
 
Gentille vê como grande problema a atitude estimulada pelos jogos nos quais o controle remoto vira o gatilho. "Se você joga isso, tende a ficar menos sensível à agressão, e a violência se torna mais normal e aceitável", explica. O pesquisador conta que crianças tendem a se ferir umas as outras por considerarem que pequenos acidentes do cotidiano podem ser agressões premeditadas. Ele diz que o jogador pode interpretar um esbarrão casual no corredor da escola como um ataque, por exemplo, e reagir de forma violenta. Informações da Deutsche Welle.
 

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