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SulAmérica descredencia oftalmologistas em Salvador; médicos preveem desassistência

Por Jade Coelho

Foto: Reprodução/Pixabay

Médicos oftalmologistas e beneficiários do plano de saúde SulAmérica de Salvador foram pegos de surpresa com o descredenciamento de clínicas na cidade. De acordo com a Sociedade de Oftalmologia da Bahia (SOFBA), em torno de 80% das unidades estão passando pelo processo.

 

Luiz Spínola, presidente da entidade baiana, denuncia que, além das unidades exclusivamente oftalmológicas, nas policlínicas, que são aquelas que prestam serviços em diversas especialidades médicas, o plano de saúde teria descredenciado apenas o atendimento oftalmológico. As unidades foram informadas através de cartas o prazo para o fim da vigência do atendimento pelo plano. Os prazos variaram entre 30, 60 e 90 dias. Spínola afirmou que na maioria das clínicas a cobertura vai durar apenas até este mês de novembro.

 

“Foi bem direto às clínicas de oftalmologia, e à parte oftalmológica das policlínicas. Na maioria das vezes foram cartas que foram recebidas inesperadamente com descredenciamento de grande parte dos produtos do SulAmérica. Em algumas clínicas restaram alguns produtos com menos quantidades de pessoas, de vidas, de clientes. Em outras clínicas descredenciado totalmente o plano”, afirmou Luiz Spínola. 

 

De acordo com o presidente da SOFBA, diante da situação, a entidade tentou obter respostas junto ao próprio plano de saúde, além da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), através do setor jurídico do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Segundo Spínola, a entidade não obteve respostas claras ou satisfatórias. “A gente não tem nenhuma informação concreta de porque eles saíram dessas clínicas e foram para outras. Na carta eles usam termo redirecionamento, só que na prática o que está acontecendo é a retirada de todos os clientes de todas as outras clínicas”, argumentou.

 

Spínola ainda fala em prejuízo para os pacientes. Segundo o profissional, pessoas acompanhadas há anos pelo mesmo médico terão agora que procurar outros especialistas. “Pacientes que vão perder o contato com o atendimento com seus médicos que já atendem há muitos anos e estão falando de doenças oculares que podem levar à cegueira, como glaucoma, retinopatias [doenças da retina e da mácula], catarata, córnea e tantas outras subespecialidades. Esses pacientes perdem o atendimento de médicos que já conhecem as suas doenças, seus tratamentos”, acrescentou.

 

Além disso, outro ponto do argumento da Sociedade de Oftalmologia da Bahia é de que haverá dificuldade de agendamento de atendimentos, consultas, exames e outros procedimentos, uma vez que há menos clínicas disponíveis para os pacientes.

 

Contatado pelo Bahia Notícias, o plano de saúde SulAmérica não respondeu aos questionamentos propostos. O posicionamento enviado pela empresa informa apenas que "a revisão da sua rede credenciada é um processo constante que visa a garantir o atendimento com qualidade a todos os seus beneficiários, bem como a sustentabilidade do negócio”.

 

Em seguida, o SulAmérica destaca o foco “em oferecer aos nossos clientes opções que possam ampliar o acesso à saúde suplementar, inclusive com a introdução de novos produtos".

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