HIV mostra resistência de mutação a remédio utilizado no Brasil
Um estudo realizado em parceria entre Brasil e Portugal analisou mais de 20 mil sequências genéticas do HIV e mostrou que em pacientes brasileiros há um aumento da mutação K65R.
O resultado da pesquisa coordenada por Nuno Miguel Sampaio Osório, da Universidade do Minho, em Portugal, preocupou os cientistas que participaram dela, por apontar uma resistência a um dos medicamentos utilizados no tratamento do antirretroviral no país, o Tenofovir (TDF).
“É o medicamento de primeira linha para começar o tratamento padrão do HIV em pessoas virgens para o tratamento no Brasil”, aponta Bernardino Geraldo Alves Souto, professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que participou da pesquisa.
As amostras analisadas foram coletadas em pacientes que faziam tratamento no período entre 2008 e 2017, no Brasil.
Na época estudada, houve uma mudança nos protocolos antirretrovirais no Brasil, substituindo o Zidovudina pelo Tenofovir. Segundo os pesquisadores, isso pode ter contribuído para a prevalência da mutação.
Foram 48 mil novas infecções, em 2019, e 14 mil mortes registradas no país.
Para impedir que isso aconteça, os pesquisadores defendem a genotipagem universal, em que todos os casos diagnosticados são avaliados geneticamente para definir o melhor tratamento.
Atualmente, em geral, a genotipagem só é feita após verificação de falha terapêutica por seis meses.