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Entrega da Butanvac para uso em julho é improvável, apontam analistas

Foto: Divulgação / Governo de São Paulo

Analistas veem com cautela o cronograma de testes da Butanvac, vacina contra Covid-19 anunciada pelo governo de São Paulo nesta sexta-feira (26). O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que o estudo clínico deve ser concluído até o meio deste ano, possibilitando a entrega em julho. As informações são do portal G1 e da GloboNews.

 

Especialistas acreditam que o prazo apresentado pelo Butantan pode ser irreal, já que ainda são necessárias várias fases antes da autorização para aplicação na população.

 

“O anúncio feito pelo Instituto Butantan de uma vacina promissora é excelente. Mas há muitas etapas a serem cumpridas ainda. Os estudos clínicos de fase 1 e 2, e depois de eficácia de fase 3, que vão demonstrar se essa vacina terá ou não condições de ser utilizada em programas públicos de vacinação. Há uma esperança, uma boa notícia, mas ainda um longo caminho pela frente”, diz o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.

 

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, também afirma que julho pode ser muito cedo para que todo o processo seja concluído.

 

“Sinceramente acho pouco provável que até julho essa vacina já esteja pronta para uso. A gente já viu que esses estudos demoram e o acompanhamento dessas pessoas, 3 a 4 meses é certo, para que a gente tenha esses dados encaminhados à Anvisa para aprovação”, afirmou.

 

A microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, destaca que os dados dos estudos pré-clínicos da Butanvac ainda não foram apresentados para a comunidade científica.

 

“Nós gostaríamos de ter acesso a um estudo pré-clínico que foi feito em animais, acompanhar melhor como estão esses resultados para poder dar algum tipo de opinião. Porque sem saber isso, sem saber se já foram feitos acordos para começar os testes clínicos em humanos, qual a previsão, como vai recrutar, quem que vai financiar - tem muitas perguntas que estão em aberto -, não nos cabe tentar fazer nenhum tipo de comentário antes de ter acesso a esses dados”.

 

Para Pasternak, o fato de o Butantan já dominar a tecnologia que será usada na nova vacina pode contribuir para facilitar o processo.

 

“A ideia foi muito boa de usar como vetor um vírus de uma doença de ave. A tecnologia de propagar vírus em ovo é uma tecnologia que o Butantan domina. Assim que eles fazem a vacina da gripe, todo ano. É uma tecnologia bastante usada no Brasil, a vacina de febre amarela também é usada em ovo”, disse.

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