Conselho de Química reage a adoção de túneis de desinfecção em escola de LEM
O Conselho Federal de Química reagiu a adoção de um túnel para desinfecção instalado em uma escola na cidade de Luís Eduardo Magalhães, que retomou as atividades presenciais em meio à pandemia da Covid-19 (leia mais aqui). A intenção da unidade escolar foi tentar evitar contaminação pela doença.
Em nota divulgada pelo conselho, a entidade alerta para o que classifica como "perigo do equipamento". O CFQ se posiciona contra a medida, e destaca que nenhum desinfetante deve ser utilizado para a descontaminação de pessoas. "Esse produto não é considerado antisséptico de uso tópico. Desinfetantes são produtos químicos tecnicamente classificados como saneantes e, como tal, devem ser aplicados exclusivamente sobre superfícies inanimadas", diz a nota.
Ainda conforme o CFQ, para que um produto químico possa ser aplicado sobre a pele, ele deve estar enquadrado, de acordo com a legislação vigente, na classificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como produto de higiene pessoal, cosmético e perfume. Este é o caso do álcool gel para as mãos. Há também os produtos classificados como medicamentos, que seguem regulamentos específicos.
A nota também chama a atenção das autoridades e da população para o fato que não há estudos científicos que comprovem a eficácia do uso desse tipo de desinfecção ou de higienização para eliminar microrganismos que eventualmente possam estar depositados em roupas.
A entidade ressalta que a Anvisa se manifestou sobre o assunto em uma nota técnica em que afirma não existe nenhuma comprovação da eficácia contra o novo coronavírus de sistemas de desinfecção por meio de um túnel onde são pulverizados produtos desinfetantes diretamente sobre as pessoas.
Um dos túneis de desinfecção em uso na Bahia é um projeto experimental do Senai Cimatec, realizado em parceria com o governo estadual para uso exclusivo em unidades hospitalares. De acordo com a entidade, o equipamento atende adequadamente aos requisitos da Anvisa, que permite o uso de túneis em ambientes controlados, em serviços de saúde, e para uso exclusivo por profissionais que utilizem equipamentos de proteção individual (EPIs). O túnel não é para ser utilizado na desinfecção das pessoas e sim para a desinfecção das superfícies dos EPIs.
Sobre as aulas em Luís Eduardo Magalhães, o Conselho Estadual de Educação (CEE-BA) recomendou aos colégios particulares da cidade que suspendam as atividades presenciais reiniciadas no último dia 3 de novembro, após decreto municipal. Segundo o presidente da instituição, Paulo Gabriel Soledade Nacif, mesmo privados, os colégios integram o Sistema Estadual de Educação e estão subordinados ao conselho, que não autorizou o funcionamento. “Não vamos assistir calados a nenhum tipo de desrespeito às nossas normas”, garantiu (saiba mais aqui).