Dez anos após portaria do SUS, quase 300 transgêneros esperam por cirurgia
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma lista de espera de pelo menos 288 pessoas trans para cirurgias de transição de gênero na rede pública de saúde. No país, há cinco hospitais habilitados que oferecem estes tipos de procedimentos. Há dez anos, o Ministério da Saúde publicou uma portaria que criava o Processo Transexualizador. Um levantamento do G1, feito com base em números obtidos via lei de acesso à informação, apontam que em média são feitas uma ou duas cirurgias por mês em cada instituição.
Médicos ouvidos pelo site apontam que as equipes são reduzidas e não há profissionais suficientes para aumentar o número de cirurgias. “As pacientes e os pacientes fazem dois anos [de acompanhamento] e estão prontos [para a cirurgia], mas não adianta eles estarem prontos porque a gente não consegue dar vazão. A gente não consegue fazer quatro, seis cirurgias por mês, mas só uma cirurgia. Esse é o problema. Se a gente tivesse duas ou três equipes, eles não precisariam esperar tanto”, diz a ginecologista Mariluza Terra, que trabalha há 19 anos com a saúde da população trans no Hospital das Clínicas da UFG, em Goiás. Além disso, médicos defendem que mais hospitais possam fazer o procedimento para que o paciente não tenha que viajar tão longe para conseguir fazer a cirurgia.
Nos últimos dez anos, o governo federal pagou 474 procedimentos cirúrgicos a transgêneros, mas isso não significa que a mesma quantidade de pessoas foi operada. A cirurgia de redesignação sexual (que adequa a genitália ao gênero da pessoa), por exemplo, geralmente exige mais de um procedimento.
Há, ainda, atendimentos ambulatoriais a pessoas trans em hospitais de outras capitais. Essas unidades oferecem, por exemplo, acompanhamento psicológico e endocrinológico ao público. Na Bahia, esse serviço é oferecido pelo Hospital das Clínicas (veja aqui e aqui).