Estímulo em nervo promove melhora de homem após 15 anos em estado vegetativo
Depois de 15 anos em estado vegetativo, um homem de 35 anos recebeu um implante para estímulo elétrico do sistema nervoso e apresentou sinais de consciência. Ele chegou a derramar lágrimas, segundo O Estado de S. Paulo. O caso aconteceu em Lyon, na França, e teve seus resultados publicados nesta segunda-feira (25), na revista Current Biology. A ferramenta usada foi estimuladores do nervo vago (ENV), que é capaz de conectar o cérebro a diversos órgãos do tórax e do abdome. Utilizado no tratamento de epilepsia e depressão, o ENV também pode auxiliar na restauração da consciência de pacientes que estão há anos em estado vegetativo. De acordo com a publicação, autores do estudo apontam que o resultado desse experimento contradiz a crença amplamente aceita de que distúrbios da consciência que persistem por mais de um ano seriam irreversíveis. "Estimulando o nervo vago, mostramos que é possível melhorar a presença de um paciente no mundo", afirmou uma das autoras, Angela Sirigu, do Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod. Para testar a capacidade do ENV, os pesquisadores implantaram um eletrodo no pescoço do paciente, nas proximidades da artéria carótida, com o objetivo de estimular o nervo vago esquerdo. Um gerador de impulsos elétricos também foi implantado sob a clavícula. Durante todo o dia e noite do teste, o paciente em questão recebeu estímulos de 30 hertz, em ciclos de 30 segundos, seguidos de cinco minutos de descanso. A intensidade foi aumentada progressivamente. De acordo com a publicação, a reação não foi imediata, mas depois de um mês de estimulação do nervo vago, houve uma melhora considerável da atenção, dos movimentos e da atividade cerebral do paciente. Assim, o homem começou a responder a comandos simples, como seguir um objeto com os olhos e virar a cabeça quando lhe pediam, além de reagir a estímulos. Diante disso, os cientistas planejam um estudo colaborativo para confirmar o potencial terapêutico do ENV, com foco na recuperação de pacientes em estado vegetativo ou de consciência mínima.