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Ministério da Saúde quer reduzir em 20% mortalidade entre crianças indígenas

Foto: Daniel Caron / FAS
O Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (23) um programa voltado para a saúde da criança indígena, com a meta de reduzir em 20% a mortalidade nessa parcela da população até 2019. Dados da pasta mostram que a mortalidade infantil indígena, de 31,28 por mil nascidos vivos, é mais que o dobro da média geral nacional, de 13,8. "O modelo de assistência indígena é diferente, pela própria característica de distância que as aldeias estão das estruturas de saúde. Por isso, estamos buscando mais resolutividade nas ações de saúde para que possamos melhorar os índices que, lamentavelmente, não são os mesmos da média dos demais brasileiros", afirmou o ministro Ricardo Barros. O ministério apontou que metade das mortes de crianças indígenas ocorre antes de elas completarem um ano. A maioria dos óbitos (65%) é por doenças e causas evitáveis, como problemas respiratórias, nutricionais e parasitários. O foco do novo programa é atuar principalmente no combate a esses problemas. O diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Allan Sousa, afirmou que estas são as mortes mais preocupantes, já que podem ser prevenidas com uma estrutura relativamente simples. "Os óbitos nessa faixa etária mostram ou que o pré-natal não foi feito com qualidade, ou que o acompanhamento da criança não está sendo feito", ressaltou. Para a diretora de Atenção à Saúde Indígena, Regina Celia Resende, outro grande problema nas aldeias é que as mães estão deixando de amamentar os bebês muito cedo. Em média, o período de amamentação dura quatro meses, quando a recomendação é de, no mínimo, seis meses. De acordo com o Ministério da Saúde, a dificuldade nos registros de informações de nascidos vivos e de óbitos também interfere no diagnóstico e na formulação de políticas públicas direcionadas para essa população. O programa lançado nesta quarta tem como metas garantir que 85% das crianças menores de 5 anos tenham esquema vacinal completo, alcançar 90% das gestantes com acesso ao pré-natal, implementar as consultas de crescimento e desenvolvimento para crianças indígenas menores de 1 ano, chegando a 70% e investigar ao menos 80% das mortes de mães e de recém-nascidos e abortos. A prioridade na implantação das ações é nos 15 Distritos Sanitários Especiais Indígenas, cujo índice de mortalidade está acima da média ponderada por ano: Maranhão; Yanomami; Xavante; Caiapó do Pará; Alto Rio Juruá; Alto Rio Purus; Altamira; Amapá e Norte do Pará; Médio Rio Purus; Rio Tapajós; Mato Grosso do Sul; Alto Rio Solimões; Tocantins; Porto Velho e Vale do Javari.

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