Pesquisadores da USP criam técnica para tratamento de lesões no colo do útero
Cientistas da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, criaram uma técnica capaz de tratar lesões pré-cancerígenas no colo do útero de maneira menos invasiva, usando um processo chamado terapia fotodinâmica. Quando não tratadas, essas lesões podem levar ao câncer do colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais comum na população feminina. Iniciado em 2011 pelos pesquisadores Natalia Mayumi Inada e Vanderlei Salvador Bagnato, o estudo começou eliminando verrugas causadas pelo papiloma vírus humano (HPV), com o objetivo de reduzir a disseminação do câncer de colo de útero. O tratamento consiste na aplicação de um creme capaz de entrar na célula e criar uma substância fotosensibilizadora. Com a paciente deitada em posição ginecológica, o equipamento que projeta luz é introduzido durante 20 minutos. "Em contato com a luz, em determinado comprimento de onda, é feito o efeito fotodinâmico. São reações físicas e químicas que vão matar a lesão. A ideia da terapia fotodinâmica é um tratamento não invasivo, que reduz ou elimina a lesão", explicou a pesquisadora da USP Fernanda Mansano Carbinatto, em entrevista à Agência Brasil. As pacientes tratadas no primeiro estágio da pesquisa alcançaram 100% de cura. Diante do sucesso, o equipamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já é comercializado para o tratamento de lesões de baixo grau. Os pesquisadores pretendem, a partir de agora, investigar o desempenho da terapia em lesões pré-malignas, ou seja, em estágios mais avançados. Na segunda etapa da pesquisa, iniciada em 2014, os cientistas investigam a eficiência da terapia fotodinâmica nas lesões pré-cancerígenas. São acompanhadas 60 voluntárias, metade delas tratadas com a terapia e as outras por meio de procedimento cirúrgico. "Até o momento, temos os resultados de 14 pacientes tratadas no Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Com 90 dias de tratamento, temos 72% de cura. Mas ainda é um tempo curto para chegar a alguma conclusão. O ideal seria 180 dias, para fechar o ciclo celular, e seria interessante uma resposta de 6 meses. São resultados preliminares", afirmou Fernanda. Em junho deste ano, a equipe recebeu o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia.