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Baixa perspectiva de lucro reduz estudos sobre doenças negligenciadas

Foto: Getty Images
Cerca de 1 bilhão de pessoas são afetadas por doenças negligenciadas em todo o mundo, segundo a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, da sigla em inglês), mas a falta de perspectiva de lucro afasta pesquisas para aprimorar e desenvolver o tratamento contra essas enfermidades. Com o objetivo de discutir soluções para esse problema, pesquisadores de diversas partes do mundo estão reunidos no Rio de Janeiro, na reunião de parceiros da DNDi. Criada pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras e pelo braço da Organização Mundial da Saúde que trata de doenças tropicais, a iniciativa busca unir esforços com governos e o setor privado para desenvolver pesquisas. A lista de 17 doenças negligenciadas inclui problemas conhecidos dos brasileiros, como a dengue e a Doença de Chagas. De acordo com a diretora médica regional da DNDi na América Latina, Carolina Bastista, uma característica em comum entre muitas dessas doenças é que os enfermos estão em camadas sociais mais desfavorecidas. "São doenças que acometem pessoas que vivem em situações de pobreza, em lugares remotos e que despertam pouco interesse das grandes indústrias farmacêuticas", afirmou Carolina à Agência Brasil. "Apesar de ser muito conhecida e midiática, faltam ferramentas, tratamentos adequados e investimento em vacinas". A Fundação Oswaldo Cruz é uma das instituições fundadoras da iniciativa e o vice-presidente de produção e inovação em saúde da entidade, Jorge Bermudez, conta que uma das soluções em discussão para viabilizar a pesquisa e desenvolvimento de tratamentos dessas doenças é a criação de um fundo internacional que disponibilizasse esses recursos. "Não falamos apenas de doenças negligenciadas, mas falamos em populações negligenciadas, que têm que ter prioridade", disse Bermudez, que defendeu que governos de países ricos contribuam para o fundo. Ele lembrou ainda que o objetivo do grupo, além de tratar doenças negligenciadas, é contribuir para o acesso a medicamentos para outras doenças. "Não podemos apenas investir para que sejam tratadas as doenças negligenciadas e [as pessoas] acabem morrendo de câncer, diabetes e hipertensão".

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