Unicef ouve mães de bebês com microcefalia para elaboração de políticas de apoio
Os problemas enfrentados pelas famílias de bebês diagnosticados com microcefalia estão sendo investigados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em uma roda de diálogo com mães, pais, profissionais de saúde e gestores, em Recife. A atividade terá como resultado um relatório com recomendações elaborado pelos participantes. A especialista em programas do Unicef, Tati Andrade, disse à Agência Brasil que as instituições que cuidam das crianças com microcefalia precisam se integrar para que as famílias não tenham que fazer grandes deslocamentos para fazer exames, consultas e terapias. "Ficou evidente a necessidade de articular melhor o trabalho entre as organizações para otimizar o trabalho. Esse trabalho tem sido muito grande, árduo, com bons resultados, Mas, principalmente para poupar as famílias de idas a várias organizações diferentes, é preciso uma melhor articulação". A representante do Unicef reconhece que o aumento expressivo da demanda, por causa da relação da microcefalia com o vírus Zika – que aumentou o número de nascidos com a malformação – exigiu resposta rápida dos serviços de saúde. No entanto, ações simples, como o envio de exames feitos em uma instituição para a outra onde o bebê faz terapia, já ajuda as famílias a poupar tempo, segundo ela. A presidente da FAV, Liana Ventura, diz que uma das dificuldades para o desenvolvimento dos bebês com microcefalia é a demora no início do acompanhamento especializado. "O que estamos comunicando à Secretaria de Saúde é que tem crianças que estão perdendo as janelas importantes do tempo de neuroplasticidade [capacidade de adaptação do sistema nervoso], que não estão em nenhum serviço fazendo reabilitação. Elas já estão com oito meses, nove meses, e nós sabemos que o desenvolvimento visual principal ocorre nos primeiros três meses a cinco meses de vida. É muito importante juntar esforços para que os setores envolvidos possam dar oportunidade a esses bebês uma maior qualidade de vida", alertou. Além de Pernambuco, também houve grupo de conversa sobre a microcefalia no Ceará. Entre as propostas que surgiram até agora das reuniões está a realização de um curso de férias em universidades para capacitar estudantes da área de Saúde a lidar com o tema.