Homens representam menos de 30% dos atendimentos psiquiátricos, de acordo com APB
Problemas psicológicos ou psiquiátricos não escolhem gênero. No entanto, os homens são quem menos procura ajuda em caso de transtornos avançados, representando apenas 30% dos atendimentos psiquiátricos. A informação é da Associação Psiquiátrica da Bahia (APB), que ainda afirmou que eles não consultam um especialista por vontade própria. "Eles geralmente chegam levados pela esposa. Quando paciente é crônico ou oferece risco a outras pessoas, a família acaba levando mesmo contra vontade dele", esclareceu o presidente da APB, André Brasil. De acordo com o especialista, o preconceito seria uma das principais causas do problema, já que muitos associam transtornos psiquiátricos, como depressão, a "fraqueza ou fragilidade". "Em 16 anos, as mortes associadas à depressão cresceram 705% no Brasil. Estamos diante de uma doença desafiadora, que precisa ser levada muito a sério e representa, sem dúvidas, um preocupante caso de saúde pública". Para a Associação Psiquiátrica da Bahia, é preciso olhar com muito cuidado para todos os casos e não se deve ignorar o fato dos homens terem mais dificuldade para buscar ajuda. Campanhas de esclarecimento, espaços para debater o tema sem tabus são fundamentais para reverter a situação. "Temos que acabar com essa barreira. Depressão e transtornos psiquiátricos em geral são problemas de saúde como todos os outros. Ir ao cardiologista, ao ortopedista, ao endocrinologista ou ao psiquiatra é cuidar da saúde, não há diferença", lembrou Brasil.