APB respeita nomeação, mas observará de perto novo coordenador de saúde mental do MS
Por Renata Farias
A recente nomeação do psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho para a coordenação geral da área de saúde mental do Ministério da Saúde (saiba mais) tem gerado manifestações por parte de grupos que temem o retorno dos hospitais psiquiátricos, também conhecidos como manicômios. O temor é gerado pelo fato de Wurch ser ex-diretor técnico da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, no Rio de Janeiro, maior hospital psiquiátrico privado da América Latina, fechado em 2012 após denúncias de violações de direitos humanos. Para o presidente da Associação Psiquiátrica da Bahia (APB), André Brasil, é necessário evitar prejulgamento e atitudes precipitadas. "Nós respeitamos a posição do ministro, é uma decisão federal. Em momento algum, estamos considerando que ele está propondo a volta de hospitais psiquiátricos. A gente está respeitando a posição, não dando apoio", afirmou o psiquiatra em entrevista ao Bahia Notícias. "Nós estamos observando o posicionamento do ministro e o novo coordenador. Se levantarem para dizer 'vamos discutir hospitais psiquiátricos', a associação vai levantar e dizer 'nós não concordamos com isso'", completou. De acordo com Brasil, o posicionamento está alinhado com as diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Em nota de esclarecimento (leia aqui) publicada nesta segunda-feira (14), a APB negou envolvimento com manifestações contra a nomeação de Wurch, mas ressaltou a necessidade de cumprimento da Lei Federal 10.216/2001, que protege os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. "Nós não defendemos hospital psiquiátrico como modelo de eficiência, mas para pacientes em crise em momentos especiais, como qualquer doença", ressaltou Brasil.