Grupo de percussão Batuque de Surdos reúne alunos com deficiência auditiva
Por Renata Farias
Celebrado neste sábado (26), o Dia Nacional do Deficiente Auditivo foi definido com o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade e também de lutar por melhores condições de bem-estar. Desde 1992, Salvador conta com a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos do estado da Bahia (Apada-BA), uma entidade sem fins lucrativos que promove projetos de educação e também voltados para capacitação profissional para inserção de pessoas surdas no mercado de trabalho. "Atualmente, temos mais de 60 empresas que são parceiras na empregabilidade do surdo", contou a coordenadora da instituição, Jamara Dourado. Como parte do programa de educação, a Apada criou a banda Batuque de Surdo em 2008. O grupo de percussão formado exclusivamente por surdos, com idade entre 9 e 20 anos, foi idealizado pela atual presidente e fundadora da Apada, Marisanda Dantas. "Essa ideia foi da atual presidente da instituição, que é também uma das fundadoras. Ela viu em um programa de TV uma banda de Brasília com adolescentes tocando, então pensou que seria possível fazer isso também na Apada. O nosso diferencial é que essa banda que ela viu é composta por surdos e ouvintes, enquanto na nossa banda todos são surdos. Temos até mesmo uma regente que também é surda", contou a coordenadora da Batuque de Surdos, Natália Dantas Souza. Segundo ela, a ideia foi logo abraçada por todo o grupo, que toca sentindo as vibrações produzidas pelos instrumentos. "Os surdos têm isso da musicalidade. Na verdade, eles têm muita atenção para a arte em geral, seja teatro ou desenho e a música também. Quando a gente surgiu com a ideia, todos abraçaram", disse Natália. "Quando a gente pergunta, eles dizem que sentem a vibração e, assim, conseguem pegar o ritmo no corpo. Até porque percussão tem a batida bem forte. O professor estabelece uma didática e consegue, através de marcações, definir tudo que é necessário para que eles toquem", completou. De acordo com o vice-presidente da Sociedade Baiana de Otorrinolaringologia, Marcos Juncal, assim como pessoas sem deficiência auditiva conseguem sentir a vibração de sons fortes em seus corpos, pessoas com a deficiência também podem sentir. "O som é vibração, é passado através de ondas pelo ar e pela água também. Quando você fica perto de uma caixa de som com volume muito alto, é possível sentir as vibrações da música. Quando a pessoa toca o instrumento, é ainda mais fácil sentir a vibração, porque ela está em cima da fonte sonora", explicou. A Batuque de Surdos faz shows não só em Salvador, mas também no interior da Bahia e até mesmo em outros estados. A próxima apresentação do grupo será em um evento interno da instituição para celebração do Dia Nacional do Deficiente Auditivo. Veja uma apresentação do grupo: