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Brasil não está preparado para enfrentar aumento na longevidade de idosos, diz Chioro

Por Renata Farias / Bruno Luiz

Foto: Renata Farias / Bahia Notícias
O ministro da Saúde Arthur Chioro afirmou nesta terça-feira (18), durante palestra na conferência “A Saúde no Brasil, Pública e Privada”, promovida pela Revista América Economia, que o Brasil não está preparado para os desafios trazidos pelo desenfreado aumento da expectativa de vida da população. Chioro disse que o país precisa de reformas estruturais para dar aos idosos o direito de envelhecer com qualidade de vida, explicou que o Brasil vive três transições no campo da saúde e que a população e entidades organizadas precisam entender o alcance e repercussão desses processos. “Dificilmente acertaremos as decisões que temos de tomar na esfera pública e na esfera privada se não entendermos esses processos”, pontuou. O ministro afirmou que a primeira transição está na reforma da saúde psiquiátrica no país e que as mudanças no perfil da sociedade brasileira fazem com que os idosos necessitem de uma assistência cada vez maior do que no passado. “Minha vó teve 12 filhos. Quando ela envelheceu, teve uma rede de cuidados A maior parte das famílias hoje é composta de um, dois filhos. Muitos idosos são separados. As mulheres vivem 10 anos mais. Eles não têm mais a assistência que tinham antigamente”, afirmou. De acordo com ele, a segunda transição foi a nutricional, proporcionada, entre outras coisas, pela redução de 75% da pobreza extrema no Brasil, segundo dados do Mapa do Fome 2013 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). “Nós saímos rapidamente da subnutrição para sobrepeso e obesidade. 17% dos adultos brasileiros são obesos. 1/3 das nossas crianças são obesas. Projetem qual é a sociedade para as próximas décadas. A carga de doenças crônicas como hipertensão e diabetes deve aumentar. Nós teremos que enfrentar a agenda da transição nutricional”, explicou. A terceira transição, segundo Chioro, é a epidemiológica. De acordo com o ministro da Saúde, o país teve uma grande redução no número de doenças infectocontagiosas, mas, na contramão disso, enfrenta um aumento no índice de enfermidades crônico-degenerativas. Algo que preocupa também é alta no número de mortes causadas por acidentes de trânsito, de trabalho e homicídios. “Nós tivemos uma transição, que foi de padrão misto. Nós tivemos uma grande redução no número de doenças infectocontagiosas, mas continuamos a ter que conviver com elas. Se ela não mais mata, nós ainda convivemos com malária, dengue, chikungunya, zika, tuberculose. Aumentamos o número de doenças crônico-degenerativas, como câncer, hipertensão, diabetes, com uma carga de doenças e mortes importante”, ponderou. “Nós trouxemos também os homicídios, acidentes de trabalho e trânsito para causas de mortes. Isso faz com que o Brasil tenha como primeira causa de morte as doenças do aparelho cardiovascular, e logo em segundo as causas externas. Se nós não considerarmos esse perfil triplo de transição, a gente não consegue fazer uma análise dos desafios no campo da saúde”, afirmou.  

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