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Líderes feirenses divergem sobre legalização do aborto

Foto: Reprodução
Neste domingo (8), foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data mobilizou nas redes sociais de todo o Brasil uma discussão sobre o aborto. De um lado, mulheres grávidas que se dizem a favor da descriminalização da prática. De outro, mulheres que afirmam ser contra a legalização do aborto. Uma reportagem do site Acorda Cidade, de Feira de Santana, mostra que, assim como a sociedade, líderes feirenses divergem quanto à legalização da interrupção da gravidez. Para o Arcebispo Coadjutor de Feira de Santana, Dom Zanone, a Igreja Católica não se coloca contra o direito das pessoas, mas defende que a vida deve ser zelada desde o princípio até o fim. “A vida humana, da concepção até o seu fim natural, é o dom de Deus. Então, a igreja compreende que a vida deve ser defendida, zelada em todas as situações. Em qualquer situação que a vida é ameaçada, a Igreja está aí para defender”, afirma. O Arcebispo ainda ressalta que, mesmo em caso de estupro, a Igreja condena o aborto. “Não se pode restituir um mal com outro mal. Mesmo nesses casos, com a questão do estupro, você não vai resolver o problema acabando com a vida”, conclui. Já Sidneia Pereira, líder de movimentos sociais e militante em favor dos direitos das mulheres, apresenta uma posição diferente da mostrada por Dom Zanone. Ela acredita que a discussão sobre a legalização do aborto deve sair do campo religioso. “É importante a gente ampliar esse debate para poder realmente discutir as questões que são mais importantes, pois é uma questão de saúde pública e uma questão de autonomia das mulheres sobre o seu próprio corpo”, argumenta. Sidneia ainda acrescenta que a mulher deve ter o direito de determinar o que fazer com seu próprio corpo. “Nós acreditamos que há justamente essa contradição, pois a maioria das mulheres que morrem em idade fértil no Brasil é por conta do aborto realizado em clínicas clandestinas. Além disso, a criminalização fere o direito da mulher de decidir sobre o seu próprio corpo, para que a maternidade não seja imposta pelo estado”, ressalta. De acordo com a ginecologista Márcia D’Amaral, do Hospital da Mulher, no Brasil a prática de interrupção da gravidez só é permitida em casos de estupro e má formação do feto. Apesar da criminalização, Márcia relata que muitos abortos são realizados em clínicas clandestinas e “sem nenhum critério médico”. “Oferecem riscos de infecção, pois acontecem em locais cujas condições não são fiscalizadas, e também risco de hemorragia, pois muitas vezes o procedimento é feito pessoas que não são da área de saúde, havendo o risco de perfurar o útero da paciente”, explica. A médica ressalta que, com a legalização, as pessoas realizariam os procedimentos em clínicas especializadas e com médicos qualificados, reduzindo esses riscos, por exemplo.

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