Para Unaids estratégias de combate ao HIV devem focar nos Jovens
Para a diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, para maior eficácia no combate a Aids no Brasil e no mundo é necessário desenvolver estratégias que tenham os jovens como público alvo. Em entrevista à Agência Brasil, Georgiana Braga declarou que a juventude atual representa o núcleo de resposta para conter a doença. “O jovem de hoje não viu a epidemia de 30 anos atrás. As mensagens têm que ser adaptadas – não somente à faixa etária, mas às diferenças da sociedade hoje”, disse. Georgiana também salientou a necessidade de desenvolver estratégias que levem o jovem a agir de forma responsável dentro de sua própria sexualidade. Para ela, é preciso naturalizar o diálogo sobre sexualidade e acabar com hipocrisia em torno do diálogo entre pessoas mais novas. A ONU também aposta na criação de uma espécie de cultura do teste rápido, tornando um hábito e não uma medida a ser tomada apenas após a exposição a uma situação de risco. E ressalta que a maioria dos jovens encara a Aids como uma realidade distante, não se colocam como vítimas em potencial e por conta disso muitos se expõem aos riscos e acabam sendo infectados. “Tive a oportunidade de, recentemente, conversar com vários jovens que se infectaram neste último ano. A sensação é que eles não achavam que o problema não era com eles. Não se achavam vulneráveis e não achavam que tinham ficado expostos”. Um recorte por faixa etária está previsto para ser divulgado em 2015, mas um relatório de agosto deste ano aponta aumento de 11% nos novos casos registrados no país – a maioria entre homossexuais e muitos deles jovens. “Passei 15 anos fora do Brasil. Voltei no ano passado e me assustei ao não ver mais a Aids nos jornais. Fala-se muito da parte clínica, dos avanços. Mas a Aids não tem mais rosto. E essa personificação da mensagem é importante. As pessoas estão cada vez menos confortáveis para conversar sobre a sua sexualidade e isso pode gerar grandes consequências”, concluiu Georgiana Braga.