Palestra em Salvador fala sobre diagnósticos equivocados de doenças como a TDAH
Na próxima segunda-feira (17), às 14h, a Câmara Municipal de Salvador abrirá espaço para que a psicóloga e pesquisadora da UFBA, Lygia Viégas, alerte os vereadores e a população sobre o perigo e o aumento dos diagnósticos equivocados de doenças. A professora da UFBA é membro da Secretaria Executiva Nacional do Fórum sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade. Segundo a pesquisadora, o termo medicalização é o processo equivocado de tentar desviar para o campo médico as causas e soluções para problemas, geralmente, de origem social e política. Nesse contexto, uma das preocupações é o alto número de diagnósticos de crianças em idade escolar taxadas, por exemplo, de possuir o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Pesquisas evidenciam que, em 2000, no Brasil, foram comercializados 71 mil caixas de Metilfenidato, um medicamento psiquiátrico usado para tratar TDAH. Já em 2013, impulsionadas pela indústria de medicamentos, as vendas saltaram para 2,75 milhões de caixas do mesmo remédio. Os dados são da ANVISA e do IMS Health do Brasil. “Os números são alarmantes, sobretudo, porque nenhuma pesquisa comprovou até hoje que o TDAH exista enquanto doença neurológica”, afirma Lygia. Para a professora, um dos motivos que leva ao avanço do problema na sociedade é que se torna mais fácil identificar uma criança como doente do que lhe oferecer acolhimento e respeito à diversidade. A utilização de remédios para o TDAH, sem necessidade, compromete o desenvolvimento, a socialização e aumenta a chance do fracasso escolar, além do sério risco de desenvolver dependência física ou psíquica. Mais do que um alerta à sociedade sobre a venda indiscriminada de remédios, o Fórum sobre Medicalização orienta pais, professores e profissionais de saúde sobre como se relacionar com maneiras diversas de comportamento e aprendizagem, sem interpretá-las como doença.