Coletor de sangue criado por gaúcha pode ser testado pela Nasa
Um aparelho que permite coletar sangue de astronautas inventado por uma cientista gaúcha pode ser testado ainda este ano pela agência espacial dos Estados Unidos, a Nasa. O dispositivo foi criado pela médica aeronáutica Thais Russomano no Centro de Microgravidade (MicroG), vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Chamado câmara de pressão positiva, ele reduz a sensação que a pessoa tem próprio peso e pode ser utilizado no treinamento de astronautas e tratamento de doenças.
A ideia dos pesquisadores era criar um aparelho leve, prático e descartável que não contaminasse a nave espacial, o que resultou em um protótipo que é posicionado na orelha do paciente e acionado com um simples giro. “O bisturi sai, faz um pequeno corte de dois a três milímetros, retrai, gira novamente e daí se alinha o sistema de coleta de sangue com o corte”, explica a pesquisadora. Os cientistas do MicroG já testaram o aparelho em um voo da Agência Espacial Europeia (ESA) em gravidade próxima de zero. “Hoje isso não é feito no espaço. E eu acho que o coletor acabaria preenchendo essa lacuna da avaliação dos astronautas nas missões espaciais”, defende Thais.
Segundo os pesquisadores, há muitas vantagens em comparação com as técnicas usadas nos laboratórios terrestres. Com o coletor, é possível fazer mais de uma dezena de exames no local onde o paciente se encontra. No caso de uma crise de asma, por exemplo, em cinco minutos ele revela resultados que vão definir o tratamento.
O dispositivo já foi incluído na exposição permanente do Museu de Ciências de Londres, na Inglaterra, e o MicroG começou a procurar empresas interessadas em industrializá-lo para uso médico na Terra. Sobre a possibilidade de uso pela Nasa, a pesquisadora informa que só depende da estação internacional. “Talvez até o final do ano se tenha alguma perspectiva”, conclui.