Nenhum antibiótico importante foi desenvolvido desde os anos 80, diz OMS
Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que o mundo pode estar em “uma era pós-antibióticos”, quando “infecções comuns e ferimentos leves podem matar". Mesmo assim, a indústria farmacêutica se mostra pouco interessada em desenvolver drogas que combatam esse tipo de problema. De acordo com o órgão internacional, nenhum tipo importante de antibiótico foi desenvolvido desde o final da década de 1980 e, de 2011 a 2013 a FDA – órgão que monitora medicamentos e alimentos nos EUA – apenas três novas substâncias de combate a bactérias foram aprovadas, o menor número desde 1940.
Segundo Mikael Dolsten, médico que supervisiona o departamento global de pesquisa e desenvolvimento da Pfizer, muitas das grandes empresas abandonaram essa linha de pesquisa porque ela não é lucrativa. Enquanto remédios de combate ao câncer são extremamente caros e exigem tratamentos prolongados, antibióticos são mais baratos e prescritos para curtos períodos. "Não tem havido incentivos suficientes para a indústria empreender 10 ou 15 anos de pesquisa", reconheceu Dolsten.
Por isso, empresas de biotecnologia têm apostado em terapias personalizadas, principalmente direcionadas às chamadas doenças órfãs, que afetam um número muito reduzido de pessoas. "Há mais pessoas estudando as doenças órfãs do que pessoas com essas doenças", brincou Michael Kinch, do Centro Yale para Descoberta Molecular. Dos novos medicamentos aprovados pela FDA em 2013, 70% eram drogas especiais -usadas por menos de 1% da população, de acordo com a empresa de gerenciamento de benefícios farmacêuticos Express Scripts.
Para Patricia Danzon, da Universidade da Pensilvânia, para favorecer a pesquisa de medicamentos com potencial mais amplo é necessário recalibrar o ônus regulatório e buscar novos mecanismos para conter os preços. "Existe um mito de que nos EUA as forças de mercado estão atuando para controlar os preços", justificou. Informações do The New York Times.