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Psicólogos tentam ajudar sobreviventes do tufão Haiyan a superar traumas

Foto: Reprodução
Depois de duas semanas da passagem do tufão Haiyan, as Filipinas contabilizam mais de quatro mil mortos e 18 mil feridos. Segundo as agências humanitárias, um dos maiores desafios agora, que pode demorar anos, é ajudar os sobreviventes a lidar com as dores deixadas pela tragédia. Lyn Zulieta, de 26 anos, chora copiosamente enquanto a chuva cai no teto improvisado sob o qual ela e sua família estão morando. "Cada vez que chove ou venta eu sinto medo", diz ela em matéria da BBC. "Não sei como vamos nos recuperar, talvez acabemos morrendo aqui, como o meu pai". O Haiyan a fez perder o pai, enquanto procurava abrigo para família com a mãe e os irmãos. "Perdi meu pai, perdi minha casa. Não sei o que fazer e como viver dia após dia", lamenta. Psicólogos da ONG Médicos Sem Fronteiras percorrem abrigos comunitários e centros de saúde para ajudar os sobreviventes a lidar com seus traumas. "No momento do tufão, as pessoas ficam cheias de adrenalina, porque seu objetivo é sobreviver", explica a psicóloga Caroline Calwaerts. "Mas, quando as coisas voltam ao normal, a adrenalina passa e os sintomas psicossomáticos começam a surgir. Você se sente como um corpo vazio, sem força", disse. Segundo os psicólogos, muitos dos sobreviventes os observam com olhares vazios, como uma mulher grávida que fez esse relato: "Estou com medo. Às vezes eu tenho pesadelos. Tenho medo porque cada vez que chove forte eu acho que vai vir mais um tufão." Mesmo que as Filipinas estejam acostumadas com tufões, que atingem o país cerca de 20 vezes ao ano, o Haiyan, no entanto, parece ter mudado tudo: como o governo não conseguiu prever a força da tempestade, muitos agora sentem pavor a cada tempestade ou ventania.

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