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Pesquisa revela contaminação de leite materno no Mato Grosso

Pesquisa coordenada pelo médico e doutor em toxicologia Wanderlei Pignatti, em parceria com a Fiocruz, revela que 100% das 63 mães avaliadas na cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, estão com o leite contaminado por agrotóxicos. O município é um dos maiores produtores de grãos do estado, vitrine do agronegócio no Brasil, e faz parte do estudo desde 2006, quando ocorreu um acidente por pulverização aérea que contaminou toda a cidade. Estima-se que a exposição de um morador a agrotóxicos no município durante um ano é de aproximadamente 136 litros por habitante, quase 45 vezes maior que a média nacional (3,66 litros). A pesquisa foi objeto do mestrado da estudante Danielly Palma, que avaliou a condição do leite materno na cidade. Em todas as mães foram encontrados resíduos de DDE, um metabólico do DDT, agrotóxico proibido no Brasil há mais de dez anos. Dos resíduos encontrados, a maioria é de organoclorados, substâncias de alta toxicidade, capacidade de dispersão e resistência tanto no ambiente quanto no corpo humano. “Esses agrotóxicos são lipofílicos e se acumulam no tecido gorduroso. Então, ficam no organismo e passam para o sangue da mãe. Através da placenta, como há troca de sangue entre mãe e feto, acabam atingindo o bebê. Durante a lactação, o agrotóxico acaba sendo excretado pelo leite humano”, alerta Danielly. A estudante avalia que os riscos do contágio para a saúde de mães e filhos só serão determinados em longo prazo. “O que pode acontecer são problemas no desenvolvimento cognitivo e, dependendo da carga que o bebê receba desde a gestação, pode causar má formação, que pode só ser percebida mais tarde”, afirma.

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