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Zumbido chama atenção para outras intolerâncias sonoras e surdez

Por André Apenburg

Foto: Divulgação

A impressão de que o zumbido atinge unicamente os idosos é equivocada, pois cerca de 90% dos casos têm associação com a perda auditiva, que pode ocorrer em qualquer idade. A causa mais comum desse incômodo em jovens é a exposição prolongada a sons altos, comum naqueles que utilizam muito o fone de ouvido em celulares e games, nos que gostam de baladas, assim como em músicos e artistas. Indivíduos que moram ou trabalham em regiões com alto índice de poluição sonora também têm maior risco de desenvolver o zumbido.

 

O zumbido é um transtorno que atinge milhões de pessoas no mundo e acontece quando a pessoa ouve constantemente um som ou barulho na ausência de estímulo sonoro. Ele pode ser descrito como chiados, apitos, cliques ou estalos, por exemplo. Sua intensidade pode ser leve, sendo ouvido somente durante o silêncio, ou mais intenso, a ponto de persistir durante todo o dia.

 

No período de festas com barulho intenso, é frequente que ocorra a perda de audição em apenas um ou ambos os ouvidos, o que depende da proximidade do ouvido da fonte sonora. Se o zumbido permanecer por tempo prolongado, é importante atentar se há outros sintomas, como sensação de ouvido entupido, perda de audição e tontura.

 

É preciso observar reações como a sensação de pressão nos ouvidos, irritação com sons altos e dificuldade para escutar. Caso os sintomas permaneçam, é necessário procurar o mais brevemente possível um otorrinolaringologista para realizar a avaliação do dano e também para investigar se há doenças associadas como problemas de coluna, alterações cardiovasculares, diabetes, disfunções da articulação da mandíbula e consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco, que podem causar e potencializar o incômodo auditivo.

 

Considerada como um dos mais sérios problemas auditivos, a surdez pode ser gerada por alguns distúrbios que afetam o ouvido interno, entre eles: degeneração inerente ao envelhecimento, trauma acústico, infecções graves, traumas de crânio com fratura do osso temporal, Síndrome de Meniere e tumores; além de perdas auditivas decorrentes de patologias do ouvido médio e externo.

 

Estudos da OMS de 2018 apontavam para 466 milhões de pessoas no mundo com problemas auditivos, sendo 34 milhões de crianças. Com base na evolução destes dados, estima-se que 900 milhões de pessoas possam ter surdez até 2050, quase o dobro da quantidade atual. Atualmente, no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência auditiva e, entre os fatores que explicam o aumento de casos está o envelhecimento da população e a falta de prevenção, principalmente na infância, quando 60% dos casos poderiam ser prevenidos.

 

*André Apenburg é otorrinolaringologista e diretor médico da Otorrino Center, empresa que integra o Grupo H+Brasil, uma das maiores holdings de saúde do país na área de multiespecialidades

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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