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Doenças autoimunes e saúde mental: a delicada relação que afeta a imunidade

Por Priscila Rosa

Em um mundo cada vez mais movimentado e repleto de desafios, muitas vezes esquecemos da relação intrincada entre nossa saúde física e mental. No entanto, um estudo profundo sobre a conexão entre doenças autoimunes e cuidados com a saúde mental revela uma relação que não pode ser ignorada, uma vez que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na resistência do nosso organismo às enfermidades.

 

As doenças autoimunes são, por definição, o resultado de um processo em que o corpo se volta contra si mesmo. Isso acontece quando o sistema imunológico não consegue mais distinguir entre células saudáveis e invasores externos, como bactérias ou vírus. Essa desregulação pode levar a uma série de doenças, como artrite reumatoide, lúpus, doença de Crohn e muitas outras. No entanto, o que poucos conhecem é que nossa saúde mental desempenha um papel crucial nesse processo.

 

A ansiedade e o estresse são sentimentos comuns em nossa sociedade agitada, mas eles têm um impacto profundo na homeostase do nosso organismo; ou seja, influenciam na capacidade dos organismos de manterem seu meio interno em estabilidade. Essas emoções desencadeiam uma cascata de eventos que afetam diretamente a resposta imunológica do corpo. A liberação excessiva de hormônios, como o cortisol, induz neurotransmissores e outros componentes bioquímicos que, por sua vez, afetam nossas células de defesa. O resultado? Nossa imunidade é comprometida, tornando-nos mais suscetíveis a doenças autoimunes.

 

Em resumo, quanto mais ansiosos e estressados estamos, mais frágeis se tornam as barreiras naturais de proteção do nosso corpo, e essa vulnerabilidade pode abrir caminho para o surgimento de doenças autoimunes. Embora existam vários fatores que afetam nossa imunidade, os aspectos psicológicos muitas vezes são negligenciados. O sistema imunológico é sensível às reações químicas do estresse e da ansiedade, pois ambos têm impacto direto no sistema endócrino e nervoso. Portanto, é fundamental reconhecer a importância de cuidar da nossa saúde mental como parte integrante do cuidado com a nossa saúde geral.

 

O tratamento eficaz das doenças autoimunes muitas vezes requer uma abordagem interdisciplinar que leve em consideração tanto os aspectos físicos quanto os mentais. Isso pode incluir consulta com psicólogos, uso de medicamentos específicos, incorporação de atividades físicas adequadas e o acompanhamento de profissionais de saúde.

 

Cada indivíduo é único e a maneira como os transtornos mentais e as doenças autoimunes interagem pode variar amplamente. Portanto, não existe uma abordagem única para o tratamento e o manejo dessas condições. O cuidado deve ser personalizado e adaptado às necessidades individuais de cada paciente.

 

*Priscila Rosa é médica especialista em neurologia no Instituto Bahiano de Imunoterapias (IBIS) em Salvador, pertencente ao Grupo CITA (Centros Integrados de Terapia Assistida), referência em tratamentos de doenças autoimunes no Brasil

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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