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O SUS que vi, nas andanças pela Bahia

Por Ceuci Nunes

Foto: Divulgação

Tendo como principal bandeira a defesa da saúde e especialmente do SUS (Sistema Único de Saúde), assumi uma candidatura a deputada estadual e andei pela Bahia, visitando lugares, ouvindo pessoas e trocando ideias para conhecer um pouco mais da nossa realidade.

 

Numa campanha de apenas 45 dias, sem experiência, pouco dinheiro, estrutura modesta e lutando contra a imensidão de recursos distribuídos aos municípios através do orçamento secreto por diversos candidatos, mesmo assim conseguimos 37.982 votos.

 

Nossa candidatura obteve a maior votação do PT em Salvador, tivemos votos em 330 cidades e expressivas votações em Amargosa e Miguel Calmon. Aos que acreditaram em nossas propostas, confiaram e depositaram nas urnas a esperança de que poderíamos fazer a diferença em favor da população, minha eterna gratidão.

 

Caminhamos mais de 22mil quilômetros, vistamos várias cidades, distritos, povoados, Inúmeros hospitais, policlínicas, UBS (unidades básicas de saúde) e consultório de rua. Nesta trajetória vi a força do SUS, suas potencialidades, mas também suas fragilidades.

 

Tive contato com as necessidades da saúde indígena, dos quilombolas, marisqueiras. Ouvi as queixas das mães cujos filhos vivem com a anemia falciforme, a enormes dificuldades das pessoas com deficiência e o vazio que temos na assistência das pessoas com autismo.

 

Mas também encontrei o SUS que funciona, as muitas instituições de referência, com profissionais comprometidos, convivendo com pacientes, familiares e estudantes. Me animei com a alegria das pessoas em nos mostrar este SUS pujante, que assiste, que emprega e forma os novos profissionais de saúde e da saúde; muitas vezes não visibilizado, desvalorizado e não reconhecido.

 

A saúde indígena tem uma estrutura própria dentro do SUS, com vários profissionais de saúde, mas a unidade que conheci,em Ilhéusapresentava uma estrutura física precária, com consultórios improvisados e dependência de carro, motorista e combustível para atender uma área imensa, incluindo quatro municípios. Apesar disto, os profissionais da saúde trabalham com amor e abnegação, mesmo convivendo questões alheias ao SUS, com a invasão física e simbólica do território (não demarcado) e com o não reconhecimento da importância dos povos ancestrais.

 

Com quilombolas e marisqueiras percebemos as necessidades específicas que podem ser minimizadas com linhas de cuidados apropriadas, previstas no princípio de equidade existente na lei 8080/90 que cria o SUS.

 

A situação do autismo é um desafio enorme e não se pode, enquanto sociedade, fugir desta responsabilidade. Existem instituições que prestam um serviço inestimável, mas as filas de acesso são enormes. A ampliação desta atenção é fundamental, para o atendimento integral aos autistas e suas famílias, especialmente as mães, sobre as quais recaem a maior responsabilidade do cuidado.

 

A população que mora nas ruas, que aumentou a olhos vistos nos últimos anos, precisa também de uma atenção especial pelas três esferas da gestão pública, com ações articuladas pelas prefeituras, estados e governo federal. Existem experiências exitosas existentes no Brasil, que precisam ser introduzidas e aplicadas para atender essa população.

 

O SUS é um mundo em construção, muito já foi feito e muito temos a fazer, começando pelo financiamento, passando pela gestão e pela política de recursos humanos. A comunicação do SUS com a sociedade, em tempos de tanta tecnologia, precisa ser ampliada, atualizada e executada com mais efetividade.

 

O SUS é o nosso grande patrimônio e dispomos de inúmeras ferramentas para seu aprimoramento, nas secretarias estaduais e municipais de saúde, nas universidades, na sociedade civil; o desafio é utilizá-las para melhorar esta política pública fantástica de humanização e de redução de desigualdades, chamada SUS.

 

*Ceuci Nunes é médica infectologista, doutora e mestre em Medicina Interna pela UFBA e especialista pela Universidade de São Paulo e da Califórnia - EUA.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias. 

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