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Qual a importância do check-up oftalmológico no período de volta às aulas?

Por Marcos Vale

Foto: Divulgação

Aulas à distância por videochamada, presenciais ou híbridas. Com a pandemia de COVID-19 e o consequente distanciamento social, estudantes e escolas tiveram – e ainda estão tendo – que se adaptar às novas formas de ensino. O que não muda é a importância do check-up oftalmológico, especialmente nesta volta às aulas, diferente dos anos anteriores. Muitas vezes, o desinteresse pelas aulas e a dificuldade de aprendizado estão associadas à dificuldade de enxergar. Como estamos muito tempo em casa, constantemente em frente às telas, é recomendável uma consulta oftalmológica para checar como anda a visão.

 

No universo escolar, a consulta oftalmológica de rotina é essencial para qualquer criança ou adolescente, com ou sem pandemia, pois com ela é possível diagnosticar e tratar precocemente ametropias ou outros distúrbios da visão que possam interferir no aprendizado. Neste ano em especial, os médicos oftalmologistas estão ainda mais atentos aos possíveis malefícios que foram desencadeados pelo maior tempo passado em ambientes internos e exposto às telas eletrônicas.

 

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que até 10% dos brasileiros de 7 a 10 anos precisam usar óculos. De acordo com o Ministério da Saúde, 30% das crianças em idade escolar no Brasil apresentam problemas de visão, que, quando não diagnosticados, afetam o aprendizado e podem até ser causa de evasão escolar. Esses dados demonstram a necessidade do check-up oftalmológico na volta às aulas.

 

Então, quais sintomas podem indicar a presença de alterações na visão? Quedas frequentes, desinteresse por atividades manuais e de socialização, piscar muito, lacrimejamento constante, franzir a testa ao tentar focalizar algo longe e dificuldade de concentração são algumas das manifestações de problemas visuais – que, vale ressaltar, podem ocorrer mesmo sem a apresentação desses indícios. Por isso, é fundamental levar a criança para um exame oftalmológico desde o início da alfabetização.

 

Como mencionado anteriormente, é preciso ter atenção ao uso das telas. O consumo excessivo da visão de perto e o abuso dos eletrônicos podem causar desconforto e embaçamento visual. Esses efeitos podem ser minimizados com a redução do tempo total quando possível, uso de colírios lubrificantes, aumento da distância entre os olhos e telas eletrônicas (30 cm para celulares e tablets e 50 cm para desktops) e a realização de pausas. Uma dica preventiva é aplicar a regra conhecida como “20-20-20”: para cada 20 minutos de uso de visão de perto, seja com telas eletrônicas ou outras atividades, pausar por 20 segundos olhando para um ponto a uma distância de no mínimo 20 pés (6 metros).

 

Por fim, ainda é necessário pontuar o aumento de miopia em crianças, comprovado em alguns estudos, devido ao estilo de vida com uso intenso de telas eletrônicas e isso, sem dúvida, foi potencializado pela pandemia. É possível observar nesses pacientes aumento da dificuldade de enxergar de longe, olho seco e desconforto visual, sobretudo em um possível retorno das aulas presenciais. Então, a prevenção é sempre o melhor caminho!

 

*Marcos Vale é médico oftalmologista do DayHORC, especialista em Oftalmologia Geral, Retina Cirúrgica e Vítreo Cirúrgico

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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